| Samantha Ciuffa |
| Público e foliões fizeram a festa no Sambódromo sábado e segunda-feira; na imagem, escola Tradição da Zona Leste em ação |
Goste ou não, Carnaval é sim uma festa popular e cultural importante para o grande público que prestigia, seja no Sambódromo ou pela cobertura da imprensa, e para as milhares de pessoas envolvidas, das quadras e barracões a cada passo na avenida.
De acordo com Luiz Fonseca, secretário municipal de Cultura, o Carnaval de rua gera renda em diversos setores e trabalho nas escolas o ano todo. “Não é um evento que movimenta apenas dois dias. É um ano inteiro de atividades [até de cunho social] e eventos festivos nas agremiações. Movimenta muito bem a sociedade e resulta em um espetáculo realmente bonito”, destaca.
Prova disso é que a população lota as arquibancadas e os camarotes do Sambódromo nos dias de festa; esse ano, 25 e 27 de fevereiro.
“O desfile de sábado foi estimado em 15 mil pessoas e, na segunda, em algum momento, chegamos a esse público ou bem perto disso. As pessoas vieram em peso, inclusive de outras cidades, para prestigiar e aprovaram”, comemora.
| Samantha Ciuffa |
| Luiz Fonseca, secretário de Cultura, comenta o Carnaval |
“O Carnaval, por ser o primeiro grande evento do atual governo municipal, atingiu um nível muito bom. Tanto em termos de escolas e blocos, todos maravilhosos, sem exceção, quanto em de segurança e atendimento médico. Todo mundo aproveitou e não tivemos problemas graves de nenhum tipo”.
A intenção é trabalhar pela manutenção da festa. “Enquanto outras localidades estão cortando os desfiles, nós mantemos e planejamos melhorias para o ano que vem. Temos orgulho do Carnaval de Bauru e começamos com o pé direito”, destaca Luiz.
DESAFIOS
Apesar das escolas de samba e blocos terem dado show no Sambódromo, nem tudo foram flores. Vários membros das agremiações reclamaram da sonorização e das falhas em algumas caixas distribuídas ao longo da passarela do samba.
“De fato, tivemos alguns problemas com o som. Vamos tentar melhorar para o ano que vem, mas não tínhamos total controle, pois tanto o sistema de som quanto o repasse da verba às agremiações é feito por meio de licitação”, explica Luiz Fonseca.
“Quando há um pregão público, a Secretaria de Cultura não tem acesso e não pode fazer nada: ganha a empresa que tiver o melhor preço. A gente fica refém de um processo que é lei, algo obrigatório”.
Para ele, cabe a secretaria não se acomodar e buscar melhorias em termos de organização no Sambódromo. Quanto à demora no repasse das verbas e no que se refere a problemas técnicos a solução passa pelo envolvimento das agremiações
“O ideal seria a criação de uma liga das escolas de samba, pois desobrigaria essa questão das licitações. O processo seria mais fácil e rápido. Bauru já teve uma liga e não funcionou; não sei as razões. Só que é preciso fazer dar certo, para que essa festa que as agremiações, as comunidades e o público tanto amam melhore”, sugere o secretário de cultura.
“Enquanto Secretaria, devemos ajudar as escolas a criar essa liga e ter a percepção do quanto isso é importante”, complementa.
Ainda que haja desafios a serem superados, é válido reconhecer os sucessos do Carnaval bauruense. “Tudo é aprendizado. Eu daria uma nota 8 ao evento como um todo para ser justo, já que houve alguns problemas técnicos. Ao mesmo tempo, achei o conjunto maravilhoso”.
Prefeitura fala em parcerias para o Carnaval
O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) avaliou de forma positiva os desfiles. “Tivemos pouco tempo. Assumimos em janeiro, já com o processo do Carnaval em andamento. Mesmo assim, com o esforço de todos na prefeitura, conseguimos deixar o Sambódromo e o entorno em boas condições. Fizemos a pintura, iluminação e melhoria do asfalto nas ruas em volta. Tivemos o apoio da Polícia Militar, e uma base avançada do Samu, isso certamente deu mais segurança ao público, que veio em grande número nas duas noites”, enfatizou.
Agora, a prefeitura pretende iniciar o planejamento para o próximo ano. “Já queremos fazer uma reunião com as escolas e blocos. Pretendemos buscar parcerias com a iniciativa privada, e tornar o Carnaval cada vez mais profissional. Essas parcerias com a iniciativa privada serão necessárias, até para que a festa dependa menos do poder público. Todas as escolas estão mostrando que o Carnaval voltou de vez, com um bom trabalho, então, é aprimorar esses aspectos para a festa evoluir, até porque é parte da nossa cultura popular”, completa.