08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Direito de pensar

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 1 min

Nós, não poucas vezes, subjugamos as pessoas, nos sentindo seres superiores, pelo considerado fato de termos mais, seja intelectual ou materialmente. O prestígio que temos ou a cadeira que ocupamos já basta para a pessoa credenciar-se como o tal.


Mas bastaria que deixássemos as águas rolarem mais um pouco para irmos desconstruindo tais enganos, isso porque a imperfeição é intrínseca a todo ser humano, e confundimos muitas coisas ainda, malícia com inteligência, autoestima alta com arrogância, timidez com ar de superioridade, o puro acaso com o ser capaz, e esses são apenas alguns dos enganos, que muitos ainda tem como certos.


Mas todos nós temos o direito de errar, repensar e voltarmos a acertar novamente, como simplificou Bob Dylan, quando diz: “não é preciso ser um meteorologista para saber para onde o vento está soprando”.


Porém, ser capaz não é privilégio dos grandes pensadores, cientistas, matemáticos, pós-graduados, doutorados, mestrados e todos os ditos exatos, isso porque a inteligência emocional, não poucas vezes, deixa muito bem credenciados quem as tem, lavando vantagens sobre a inteligência racional.


Não existe, pelo menos até que se prove o contrário, aqui entre nós uma supremacia, alguém que seja o tal, em todas as vertentes, em todas as questões, por ex. como foi Van Gogh na pintura, genial, na vida intima nem tanto, foi frágil e perturbado, autodestrutivo, como poderia perfeitamente um grande físico, matemático e cientista ou um escritor de renome ser pobre e miserável de espírito, analfabetos da alma.


Por isso, melhor seria sempre repensarmos sobre nós e sobre o outro, pois podemos muito bem não sermos tudo aquilo que dizem que somos ou que acreditamos ser, e também podemos não ser apenas isso.