| Samantha Ciuffa |
| Quando o assunto é economizar, eles falam de cátedra: Carol Zanetti, Gabriel Alves Lima e Cristina Alves Lima (em pé); à frente, Alexandre Ramos e Daniel Alves Lima |
Imagina conviver com uma pessoa extremamente detalhista com as finanças, dessas que costuma lançar em planilha cada centavo, até mesmo uma moeda achada no chão ou centavos gastos com balas? Difícil? Nada disso. Para o empresário Alexandre Ramos é uma questão de planejamento e sobrevivência para ter uma boa vida, onde entra todo tipo de realização de economia empresarial, saídas com os amigos e viagens com a esposa. Aliás, viagens está no item do casal de despesas muito bem feitas. “Viajar é um gasto que nunca é perdido”.
Nem sempre foi assim, mas depois que “caiu a ficha” de que só com planejamento é que viveria melhor e o dinheiro renderia, Alexandre se habituou a anotar tudo o que ganha e gasta. Sua planilha está sempre à mão, seja no computador ou no celular. Mas se, por acaso, esquece o celular em casa, lá vai a solução: anotar em qualquer papel. Esse homem controlado tem ajuda extra da esposa Carol Zanetti.
“A Carol costuma guardar mais dinheiro, para eventuais emergências e uso futuro na aquisição de bens de maior valor. Eu já fui uma pessoa mais imediatista, mas depois do primeiro emprego comecei a cuidar de minha finanças e avaliar a real necessidade de uma compra, seja por hobby, prazer ou uso profissional”. O casal não estão só...há legião de pessoas conseguindo o que parece ser impossível: viver dentro do orçamento. Sem abrir mão dos prazeres pessoais. E surpresa: são consideradas pelos amigos como extremamente generosas.
Cristina Lima e a lição que vem do filho
É tocante ouvir a operadora de cobrança Cristina Lima contar que é aprendiz de economia. E o professor é seu filho mais velho. “Aos 6 anos, Gabriel me disse ‘A senhora não pode comprar nada se não tiver dinheiro’, isso quando pedi que ele fosse até a mercearia aonde eu tinha conta, daquela com caderneta”.
E acrescenta: “Já na adolescência, ele me vendo arrancar os cabelos (risos) para equilibrar o orçamento da família (três filhos em idade escolar) solta a pérola: ‘Mãe, se planejar antes de fazer gastos, talvez não fique tão preocupada depois’.
Para o gráfico Gabriel de Lima não há espanto. Herança da sua própria natureza, ele é econômico até nas palavras. Mas vive muito bem, obrigado. “Consigo ser feliz assim. Nunca fui de gastar com coisas que não são essenciais para meu dia a dia, mas também não deixo de comprar o que gosto.”
Conta isso, ao lado do irmão Daniel (o mais novo dos três filhos de Cristina) que confidencia: “Primeiro fazia a dívida, depois corria atrás do dinheiro para pagar”.
Como mora sozinho, “ser solteiro ajuda muito e não ter vícios como cigarro ou bebidas, além de não gostar de baladas, também”.
Gabriel, no entanto, não se priva de diversão. “Pelo menos uma vez por mês saio com os amigos para colocar o ‘papo em dia’ ou para alguma comemoração.” Como Alexandre, ele também usa uma planilha para controlar os gastos e pesquisa muito antes de comprar.
“Queria uma panela air fryer. Colocavam em promoção, mas o preço era sempre mais alto do que o da última vez que vi. Levei seis meses para comprar”. Valeu a pena. O produto de R$ 600,00 saiu por R$ 250,00 à vista.
Dica:
Decisão pessoal: a maioria das pessoas ‘trabalha duro’ pelo dinheiro que ganha e isso lhe dá o direito de gastar como quiser, mas também se pode economizar e ainda fazer o que gosta.
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| Dirce Vieira defende a educação das crianças para terem autocontrole quando adultos |
Dirce Carvalho Vieira, a professora consciente
“A minha renda sempre veio de profissões que não pagam muito dinheiro. Fui professora, depois bancária e hoje sou aposentada. Aprendi a lidar com pouco dinheiro desde que iniciei no mercado de trabalho e faço orçamento doméstico. Tem de se ter sempre em mente as necessidades básicas: moradia, alimentação, saúde, vestimenta. E este item por último, porque necessariamente não é uma despesa mensal.”
Dica
Educação: pais que disciplinam bem os filhos desde cedo e ensinam o valor das coisas e do dinheiro farão com que eles economizem nos gastos supérfluos.
Eles precisam aprender que pechinchar não é ser “mão de vaca”, não é uma coisa ruim. Quem não faz isso por vergonha perde a oportunidade de fazer bons negócios ou “salvar” um dinheirinho.
Tássia Augusto sabe que no que gasta
“Somos três irmãs e minha mãe sempre ensinou a gente a economizar. Mas acho que o segredo é saber no que gastar. O que vale a pena e o que não vale. E mesmo o que vale a pena tem de escolher comprar no melhor momento, sabe? E não ir na dos outros”, diz Tássia Augusto.
Tássia hoje mora no Rio de Janeiro. “Então, se esbanjar, passo fome”, conta, aos risos. Aprendeu a administrar melhor sua renda quando foi estudar nos EUA. “Minha mãe me bancou por três meses, mas eu sempre quis ser independente, não gastava muito porque tinha 100% de bolsa, com comida e moradia, mas haviam as despesas pessoais, festas (risos), mas eu me sentia mal de converter e olha que o dólar era 1 para 2 na época. Então, me controlava demais. Não tive TV por dois anos. E não foi problema. Depois, comecei a fazer uns bicos e deu para equilibrar o financeiro na boa.”
Ela sabe tirar proveito das habilidades que tem: é jogadora de futebol de salão profissional e jogou por três anos em Madri. O que deu mais know how para a “viajante” controlada.
No momento está sem emprego. “Ganhava bem, tinha bônus e como não gasto muito, tenho um bom fundo. Agora, não sei se saio para procurar emprego ou se faço uma viagem, de um ano pela América Latina.” E ela acabou de hospedar amigos bauruenses no Carnaval carioca. Aí entra o tal quesito generosidade.
Dica
Para quem gosta de sair, badalar, aí vai a dica: só bebe se for open bar. “Já eu não pago caro em bebida, nunca.” Para lidar com os desejos consumistas, só comprar em promoção. E nas viagens, viver de hostel e comida barata e só gastar no que realmente interessa.
Alexandre Ramos e Carol Zanetti, casal controlado
Para o empresário Alexandre Ramos, o sucesso tem um diferencial: a maioria das famílias tem controle sobre o macro, financiamento, aluguel, condomínios, mas não controla os pequenos gastos. “As pessoas nem sempre querem dispor seu tempo para detalhar consumos cotidianos e isso é importante”. O ralo está aí, nas miudezas.
Planejamento é a chave para qualquer solução financeira. “Com o dinheiro em mãos, conseguimos sempre as melhores oportunidades, descontos e não ficamos à mercê dos abusos que o mercado impõe. “Paqueramos” o que queremos, planejamos e depois adquirimos”, ensina.
Dica:
É importante senso crítico e analítico para ver se o objeto desejado trará um impacto positivo. Nem sempre compensa ter. Talvez o “ter” funcione mais para quem realmente compra determinado produto só para satisfação alheia ou do próprio ego.