Em tempos em que a mulher ainda é vítima de baixos salários e todos os tipos de violência, a luta é considerada legítima pela professora de história Mariana Milhossi da Silva, que veio a Bauru para falar sobre igualdade de gêneros. Ela participou de uma plenária neste sábado (11) à tarde, no auditório da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
| Samantha Ciuffa |
| Professora de história Mariana Milhossi da Silva |
Mariana - que foi candidata a vice-prefeita de Taquaritinga, no Interior de São Paulo, pelo PSOL e ainda integra o partido - explica que o Dia Internacional da Mulher, celebrado em todo 8 de março, surgiu em 1917, mas só tornou-se global em 1975. "Na época, foi o primeiro ato da Revolução Russa: as operárias buscavam paz, terra e pão", elucida.
A professora de história destaca, ainda, que a representatividade feminina na política continua ínfima. "Além de ser incentivada a não ter opinião política, a mulher tem o espaço restringido: a jornada dupla, em casa e no trabalho, a deixa amordaçada", argumenta.
REFORMA
A solução, segundo ela, seria uma reforma estrutural - no sentido de estabelecer que 50% das cadeiras parlamentares fossem ocupadas por mulheres - e educacional - o ideal seria que a ideologia de gênero fosse inserida no currículo escolar. Para aqueles que dizem que feminismo é "mimimi", Mariana recorre aos números. "O Brasil tem um índice de estupro maior do que os países árabes, considerados violentos. Além disso, a taxa de suicídio entre as mulheres é muito alta. Não é fácil ser mulher neste País", desabafa.
Além da professora de história, participaram da plenária a dirigente estadual do Movimento Social de Luta (MSL), Ana Jete da Paz Silva, bem como a mulher e militante trans, Gabriella Caversan.
DISCURSO DO PRESIDENTE
Questionada sobre o discurso do presidente Michel Temer (PMDB) no do Dia Internacional da Mulher - momento em que reduziu o papel feminino à casa - Mariana acredita que ele tenha definido a mulher como um objeto da propriedade privada. "Tentou ser popular ao reproduzir o discurso da maioria machista", conclui.