09 de julho de 2026
Articulistas

Sobrou para o Tony

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Uma personalidade associar sua imagem a uma marca por dinheiro é sempre um risco. Os leitores mais veteranos de guerra vão se lembrar de Gérson, carismático meio-campista em 1970 no México, e seu cigarro. A fala dele no comercial de 1976 começava com "eu gosto de levar vantagem em tudo, certo?" e terminava com "leve vantagem você também, leve Vila Rica!".

Com o tempo, aquela propaganda virou quase que como um slogan do país que não está nem aí para a ética e que o lance é seguir "a lei de gérson" para se dar bem na vida. A licença para o vale-tudo vinha de um campeão mundial. O próprio parece ter se arrependido depois.

Roberto Carlos, que diz ter voltado a consumir carne de quando em vez por recomendação médica, foi metralhado ao aparecer na TV em propaganda de frigorífico (não vou eu fazer propaganda aqui) quando todo mundo achava que ele ainda era vegetariano. A dúvida paira até hoje: quem veio primeiro: a propaganda ou sua mudança de hábito? Robert de Niro, para muitos o maior ator vivo de Hollywood, beira a canastrice ao falar de outra empresa de aves e afins - a mesma que também foi ao encontro de Fátima Bernardes.

A maminha da vez agora é o inatacável e exemplar Tony Ramos. Esse, sim, virou garoto propaganda de uma série de comerciais e, nas últimas horas, foi alvo de todo o tipo de ataque e brincadeiras logo após a operação Carne Fraca, da Polícia Federal.

A carne é fraca para os famosos quando forte é o dinheiro envolvido. O que eles talvez precisem ponderar um pouco mais é que, no caso de um escândalo envolvendo a empresa contratante, são seus belos nomes artísticos que também estarão na boca do sapo. Ainda mais com a agilidade, os exageros e a acidez das redes sociais. E, ao decidirem pular fora, a vaca sagrada da credibilidade já pode ter ido para o brejo.