08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Como nascem as leis

Por Silvio Durante, professor de História e Filosofia. Membro do PSOL | Esquerda
| Tempo de leitura: 1 min

É importante lembrar-nos de uma frase atribuída ao chanceler alemão Otto Von Bismarck (séc. XIX), que dizia: "O povo jamais deve saber como são feitas as salsichas e as leis". Décadas depois, o primeiro ministro britânico Winston Churchill complementaria: "Se soubessem, não comeriam salsichas e não respeitariam as leis".

O que aconteceu em Bauru na sessão do dia 13 de março valida estas frases. Uma Câmara com uma sessão legislativa quase secreta, hermeticamente fechada para que os jovens cidadãos que estavam do lado de fora organizando um protesto não pudessem entrar.

A verdade é que a atual composição da Câmara mostra o quanto o Poder Legislativo municipal está acovardado. O quanto teme a população organizada. Para os vereadores e vereadoras, a participação do povo deve restringir-se ao voto, que de quatro em quatro anos eles irão buscar. O resto do tempo, a Câmara deve permanecer fechada, silenciosa e secreta. Independente do mérito e conteúdo do Projeto de Lei 202/16 (PL das festas clandestinas, que motivou a instalação da sessão relâmpago, ou a sessão da vergonha), o debate teria de ser feito às claras sob o crivo da participação popular contrária ou favorável.

Na sessão do dia 6 de março, Coronel Meira disse não ter medo de vagabundo. Pode até ser verdade. Mas uma semana depois, na sessão da vergonha do dia 13 de março, ele provou ter mesmo é medo do povo.