08 de julho de 2026
Geral

Quadro da Independência é resgatado

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Tela foi levada para escola no Jardim Tangarás, onde os alunos do Brizola estão estudando

O quadro "Independência ou Morte", mais conhecido como "O Grito do Ipiranga", simboliza um momento histórico do País. O original, pintado por Pedro Américo, está em segurança, exposto no Museu Paulista da USP, em São Paulo.

Já em Bauru, uma releitura da obra, idealizada pelo já falecido chargista Aucione Torres Agostinho, foi encontrada abandonada na última segunda-feira (20), conforme o JC divulgou, na calçada em frente à Escola Estadual Professor Francisco Alves Brizola. Deixou de homenagear a história para se transformar em símbolo do descaso.

Depois da matéria publicada, o quadro foi resgatado pela direção da unidade e levado para a escola recém-inaugurada no Jardim Tangarás, para onde os alunos do Brizola - interditado desde o segundo semestre de 2016 em razão de problemas estruturais - foram transferidos.

A tela foi um presente dado por Aucione à professora Celina Lourdes Alves Neves, dama do teatro bauruense, entre as décadas de 1960 e 1970, quando ele era chargista do JC e ela, colunista do jornal. Filho de Celina, Carlos Alberto Alves Neves contou ter ficado estarrecido ao ver a obra descartada daquela forma.

"Assim como ela, muitos outros pertences merecem consideração, pois fazem parte do acervo de uma escola que, de 1983 até 2015, ocupou aquele prédio e foi a casa do conhecimento de muitas crianças daquela região, bem como dos profissionais que ali exerceram suas jornadas de trabalho", lamenta.

Ele conta que, em um dos encontros entre Aucione e Celina na redação do JC, o chargista quis presentear a professora com o quadro, para que ela o expusesse na Escola Progresso, comandada por ela.

"Esta obra de arte era usada por dona Celina no desfile de Sete de Setembro, que ocorria na avenida Duque de Caxias. Ela dava um jeito e lá ia a obra, carregada pelos alunos e subindo a rua Capitão Gomes Duarte até a Araújo Leite, onde ficava o pelotão da Escola Progresso", relembra.

'SOBREVIVEU' A COICE

Em um dos desfiles, segundo Carlos, um cavalo assustou-se e acabou rasgando a tela com um coice. Quando a escola foi fechada, Celina doou o quadro para o Brizola, onde sua nora, Vera Lúcia Neves, esposa de Carlos, era professora.

"No final da década de 1990, o próprio pintor Aucione fez a restauração do quadro, que foi recolocado próximo a sala dos professores e também utilizado nos desfiles de Sete de Setembro como alegoria no Sambódromo", relembra.

Ao receber a notícia de que a obra havia sido retirada da escola e estava abandonada em uma calçada, Vera Neves, que trabalhou por 20 anos no Brizola, conta que sentiu "tristeza profunda". "Saber de toda a destruição de uma escola que eu amo tanto e a qual dediquei boa parte da minha vida é muito dolorido. Felizmente, a obra foi resgatada e espero, de todo coração, que o prédio da escola possa ser recuperado e ter um bom destino", completa.

Em nota, a Diretoria Regional de Ensino de Bauru informou que já pediu a intensificação da ronda escolar por parte da PM no entorno do Brizola. Informou, ainda, que a reforma do prédio está prevista no plano de obras da Secretaria da Educação do Estado.