10 de julho de 2026
Nacional

Exportação de carne despenca de US$ 63 milhões para US$ 74 mil

Estadão Conteúdo
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As irregularidades flagradas pela operação Carne Fraca, da Polícia Federal, fizeram as exportações de carnes e derivados despencarem. De uma média diária de US$ 63 milhões, os embarques caíram para US$ 74 mil na última terça-feira (21), segundo dados divulgados pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, em reunião na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. "A gente não sabe o tamanho da pancada que vai levar", disse.

Ainda assim, ele estimou que as exportações poderão recuar perto de 10%, ante um total de US$ 15 bilhões em 2016. Ou seja, uma perda de US$ 1,5 bilhão no ano. "Vamos trabalhar muito para que isso não aconteça."

O próprio governo brasileiro suspendeu as exportações dos 21 estabelecimentos envolvidos na operação da PF. Mercados importantes, porém, se fecharam até para os que não estão sob investigação. Há cargas de frango e suína paradas nos portos da China, de Hong Kong e da Rússia, segundo o secretário de Agricultura de Santa Catarina, Moacir Sopelsa.

O governador do Estado, Raimundo Colombo, que esteve com Maggi na manhã de ontem, alertou que há pouca capacidade de armazenamento da produção. "Temos capacidade para mais ou menos sete dias", disse.

"Depois, as gôndolas e navios precisam escoar, se não o processo entra em colapso." A preocupação maior é com os frangos, que têm um ciclo de produção mais curto e cujo abate não pode ser muito postergado.

O ministro disse ter sido informado que, diante da incerteza quanto à exportação, os frigoríficos não compraram carne bovina para processar esta semana. "O mercado está parado", admitiu. Também no mercado de suínos, as compras dos frigoríficos, que foram adiadas.

Os animais permanecem no pasto, mas o atraso no abate faz com que o custo de manutenção deles pese sobre a rentabilidade do produtor. Os criadores informaram também sobre queda no preço da carne.

O foco de preocupação de Maggi são China e Hong Kong. Além de serem grandes mercados, eles impuseram restrições à compra de produtos de todos os frigoríficos. É uma postura diferente da adotada por União Europeia, Estados Unidos e Japão, que suspenderam a compra apenas das 21 plantas envolvidas na operação.

O ministro disse estar com malas prontas para, se for o caso, viajar para a Ásia e destravar o mercado. Maggi pretendia telefonar para seu homólogo na Rússia, outro mercado importante, para dar explicações. Já o Chile, que havia ameaçado com suspensão total, se alinhou à maioria dos mercados e restringiu apenas as compras dos 21 alvos da operação.

MINISTRO

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, vai reunir na próxima segunda-feira (27) todos os superintendentes estaduais na pasta. "Quero ter uma conversa clara, direta", informou. Na reunião, os representantes terão a oportunidade de relatar eventuais dificuldades e "desconfortos" na condução das atividades do ministério na ponta estadual. "É fale agora ou cale-se para sempre", explicou. "Se não trouxer os problemas agora, a operação vai pegar lá na frente."

Maggi explicou que algumas superintendências são alvo de disputa de grupos políticos. E, por vezes, o superintendente é de um grupo e suas equipes são alinhadas a outro, o que prejudica o funcionamento da fiscalização. "Se o superintendente disser que não está confortável porque tem indicação de A ou B, não tem problema, faremos as substituições", explicou. 19 das 27 superintendências são ocupadas por indicados políticos, um problema que está na raiz das irregularidades encontradas pela Polícia Federal na operação Carne Fraca.

Maggi já exonerou os superintendentes de Goiás e do Paraná, onde foram encontrados os problemas. Para lá, serão enviados interventores de Brasília, que ele ainda está selecionando. Nas demais superintendências, ao menos por ora, ele não pretende fazer mudanças.