08 de julho de 2026
Nacional

Escândalo: 'fui chamado de maluco' 


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Curitiba  - Quando Daniel Gouveia Teixeira, auditor fiscal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, confrontou uma empresa processadora de carne com o que disse serem provas do uso excessivo de tutano, ossos e outros subprodutos de matadouros em alimentos para consumo humano, foi afastado subitamente do cargo de inspetor da fábrica.

O incidente, ocorrido quase três anos atrás na fábrica da Peccin Agro Industrial Ltda, no Paraná, levou Teixeira, que também é delegado sindical no Paraná, a dizer à polícia que suspeitava estar sendo minado por superiores corruptos, e seus amigos a começarem a chamá-lo de "maluco" por enfrentar uma dos setores mais poderosas do país.

 "Ser honesto e fazer meu trabalho me torna maluco", indagou ele em uma entrevista nesta semana. "Isso é loucura!"

Teixeira, de 39 anos, é o delator que a Polícia Federal credita por ter desencadeado a operação Carne Fraca, uma investigação sobre supostas propinas pagas por empresas de carne a inspetores sanitários do país que é o maior exportador mundial de carne bovina e de aves.

Em documentos apresentados na Justiça, a PF diz que as propinas foram pagas para encobrir violações de saúde graves de algumas empresas da indústria da carne, entre elas a venda de produtos estragados e contaminados com salmonela. A operação fez com que alguns dos maiores mercados da carne brasileira no exterior impusessem restrições a seus produtos.

A Polícia Federal acusou mais de 100 pessoas, a maioria inspetores, de aceitarem suborno para permitir a venda de produtos rançosos, falsificar documentos de exportação e não inspecionar as fábricas de processamento de carne.

 Os procuradores ainda não fizeram acusações, e as alegações da PF ainda não foram comprovadas.

A BRF SA  e a JBS , duas das maiores gigantes do setor alimentício, estão entre as dezenas de firmas visadas pela operação Carne Fraca. Ambas negam qualquer irregularidade.

A operação levou à prisão de 33 servidores sanitários e empregados do setor até agora, e os agentes federais encontraram violações em ao menos 21 fábricas de processamento em todo o país.

Autoridades do setor, que gera mais de 130 bilhões de dólares anualmente, vêm retratam as prisões como incidentes isolados.