08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Você é bem mais que um 'Like'!

Rafael Corrêa, estudante de Filosofia (Universidade Presbiteriana Mackenzie
| Tempo de leitura: 2 min

A necessidade de aceitação não é uma "invenção" dessa geração, nem tampouco o mal desse século, porém, o desenfreado e infindo pedantismo, em específico assistido nas redes sociais, nos leva a pensar acerca da "modernidade líquida", conceito criado pelo sociólogo polonês, Zygmunt Bauman (1925-2017), onde define-se a modernidade como o conjunto de relações e instituições, advindo de uma época de liquidez, fluidez, volatilidade, incerteza e insegurança. Onde encontramos seres incapazes de manter forma, estilos de vida, crenças e convicções, posto que as subvertem antes que tenham tempo de "solidificar" quaisquer uma delas.

As redes sociais não somente oferecem acesso instantâneo às informações, mas também proporcionam a facilidade de tornar qualquer um em "especialista", "crítico", "amado", sem a implicância dos ônus dessas relações, onde o que/quem não agrada, se bloqueia. Um local, que representa a vida que se quer lembrar, e, de fato, se almeja. Baseado no discurso da sociedade de consumo, vive-se à mercê das complexas relações nas quais as pessoas se movem, sem realmente questionar o que de fato as move, o que acontece à sua volta e em si mesmo.

Nesse ambiente incerto, a mentalidade de consumo aparece como resposta às satisfações das ansiedades dos indivíduos - esse arquétipo consumerista se correlaciona à autoaceitação e à autoestima. A autoestima está ligada à autoimagem positiva, aquilo que o indivíduo tem sobre si quando não se tem plena convicção acerca do autoconhecimento e valorização. Necessita em demasia do reconhecimento externo, sendo comumente tal reconhecimento supostamente representado na obtenção de "likes" e nas frágeis relações virtuais, como forma de "aprovação", mesmo que isso implique na irreverência moral sobre si. A praticidade do mundo virtual - e o estreitamento das relações - é de grande significância, porém, lanço o questionamento: Como você se relaciona? Até que ponto a presença dos outros te distrai de você mesmo? Encerro com famoso aforismo grego aplicado àqueles que tentam ultrapassar o que realmente são: "Conhece-te a ti mesmo", primeiro passo para verdadeiro conhecimento.