09 de julho de 2026
Articulistas

Que me perdoe o domingo, mas sábado é fundamental

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

O domingo é a morte do sábado. Isso, por si só, já seria imperdoável. Porque não há nada como um bom sábado: o dia inteiramente misto. Meio semana, meio feriado. Só ele tem esse encanto. Uma pitada de pausa, mas sem ócio. Desculpe, domingo.

Renata, minha irmã, avisou que a missa do bairro em Ourinhos foi para sábado à noite. Sábado é assim: pode ser sagrado e profano num piscar de olhos. Sábado inspira e sacode.

É o dia que nasce da expectativa: logo no sábado cedo você já faz mil planos e segue. Banho, beijo, padoca. Caminho, coragem e chácara. Futebol europeu, rango legal, dormida. Saída, cerveja, família. Balada e sono de pedra para acordar bem mais tarde. O sábado tarda mais não falha.

Sem contar que só ele é tão pouco dependente da segunda. No sábado, a impressão é de que a segunda nunca vai chegar. Imagina, tem o sábado inteiro ainda! E ele não dá muita bola para seu irmão preguiçoso, o domingo. Que, por sua vez, deve achar o sábado metido demais. Deve mesmo pensar: "Acha que pode tudo esse sábado sem lei".

Mas é aí que está o charme do dia que começa para não ter fim. E mesmo a madrugada, que já é de domingo, tem muito mais a ver com o sábado. Pensando assim, sábado também é o único dia de 30 horas. Só deixa de ser sábado quando chega às 6h da manhã do domingo (e quase nunca estamos acordados para ver).

Domingo que é bom também, lógico, mas jamais terá o jeitão insinuante de um sábado interessante. Santo e safado, tudo junto e misturado. Sei que pode parecer meio fora do tom falar do sábado em pleno domingo, mas vale lembrar que essas linhas nasceram ontem, logo, são filhas legítimas de um sábado de sol.

Prometo, de tempos em tempos, escrever sobre cada dia. Jamais poderia iniciar de outra forma que não fosse agradecendo o sábado: o único que nada obriga e rima com obrigado.