| Aceituno Jr. |
| Prefeito ainda vai tentar últimos esforços para evitar paralisação, marcada para começar amanhã |
O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) revelou que tentará ainda hoje evitar a greve dos servidores municipais, programada para ter início amanhã. Segundo o chefe do Executivo, simulações serão feitas hoje junto com a Secretaria de Finanças, tendo como referência o valor limite já estabelecido pela administração para gastos com folha de pagamento.
A ideia é que os reajustes (salário, vale-compra, abono e as progressões previstas no PCCS) não ultrapassem o montante já oferecido, de R$ 22,3 milhões para este ano. Com este acréscimo, o município passaria a gastar R$ 398,3 milhões com folha, equivalente a 50,89% da Receita Corrente Líquida (RCL). O limite da Lei de Responsabilidade Fiscal é 51,3% (prudencial) e 54% (legal).
"Estamos abertos ao diálogo e podemos pensar em alternativas sobre como este montante será distribuído. Mas precisamos fazê-lo de maneira responsável, sem ultrapassar este limite já definido", pontua, salientando que uma das possibilidades é aumentar o reajuste linear do abono, com acréscimo menor no percentual salarial, como forma de contemplar os anseios dos trabalhadores que ganham menos.
As "propostas", Gazzetta garante, serão apresentadas ainda hoje ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm). Enquanto isso não acontece, a entidade deverá definir preventivamente, durante reunião a ser realizada hoje, os percentuais dos serviços que serão mantidos durante a greve.
Conforme o JC divulgou, a paralisação deve atingir a administração direta e indireta (como DAE e Emdurb), mas a diretoria do Sinserm ainda não projeta percentuais de adesão. Um dos diretores da entidade, Moisés Cristo também ressalta que não há um índice mínimo estipulado por lei para manutenção de serviços essenciais.
SERVIÇOS
Mas ele garante que, assim como ocorreu em anos anteriores, não haverá paralisação completa de servidores de atividades como a urgência em saúde, por exemplo. "A administração não buscou um acordo com o sindicato nesse sentido. Isso será discutido nesta segunda-feira entre os diretores e servidores", frisa.
Ao todo, o município conta com mais de 7.700 mil servidores na ativa. São 6.200 na administração direta e pouco mais de 1.500 no DAE e Emdurb. Há ainda aproximadamente 2.500 inativos (aposentados e pensionistas).
A data-base da categoria é o dia 1 de março. Em fevereiro, os servidores apresentaram o pedido de reajuste de 10,74% no salário, relativo a perdas inflacionárias. Solicitaram, ainda, aumento do vale-compra dos atuais R$ 362,00 para R$ 480,00 e do abono dos atuais R$ 321,00 para R$ 380,00.
O prefeito apresentou contraproposta de reajuste de 2% mais R$ 20,00, incorporados ao salário. No vale-compra e abono, inicialmente, o município ofereceu 4,6% de aumento, mas, após a rejeição dos servidores, o percentual subiu para 9% em ambos, com o vale-compra passando para R$ 392,00 e o abono para R$ 350,00. Na assembleia da última quinta-feira, os servidores rejeitaram a nova proposta e decidiram pela greve.
Adesão
Segundo Moisés Cristo, o volume de adesão dos servidores à paralisação ainda preocupa, devido a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no final do ano passado, que restringiu as greves. Foi a partir dela que o pagamento dos dias parados passou a depender de acordo com o prefeito.
"No ano passado, tivemos cerca de 1,8 mil trabalhadores nas ruas. Mas, neste ano, está um pouco diferente. Somente na terça-feira conseguiremos ter dimensão do quanto a categoria está mobilizada", aponta.