| Aceituno Jr. |
| Falcão mostra habilidade e equilibra pacote de ração no lugar de bola em tarde de fotos e autógrafos na Agrosolo |
Falcão esteve, nessa segunda-feira (28), pela terceira vez em Bauru, terra em que Pelé iniciou sua trajetória no futebol. O rei do futsal falou sobre sua ligação com a cidade, sua despedida da seleção brasileira, após duas décadas de atuação, e também sobre os planos e desafios para o futuro.
Prestes a completar 40 anos, Alessandro Rosa Vieira, que foi eleito quatro vezes pela Fifa como melhor jogador de futsal do mundo, diz que deixa a camisa verde e amarela, mas ainda não tem planos de largar de vez a modalidade.
O craque poderá ser acompanhado pelos fãs por uns bons anos no time que montou em Sorocaba, cidade onde mora com a família, e que, atualmente, é patrocinado pela Magnus, marca de ração para animais de estimação. A divulgação da marca, inclusive, foi o motivo de sua vinda para uma tarde de fotos e autógrafos na loja Agrosolo, em Bauru.
Em meio ao assédio dos fãs, o craque dispensou alguns minutos de atenção ao JC. Confira a entrevista abaixo.
Jornal da Cidade - Você já visitou Bauru outras duas vezes nos últimos anos, o que mais lhe faz lembrar da cidade?
Falcão - A família do meu pai era de Santa Cruz do Rio Pardo, então eu sempre passava por aqui, tive amigos que moravam aqui. Em 2011, eu tive a felicidade de conhecer o Pelé. E ele contou que começou a jogar futsal em Bauru. Sempre que estou na cidade ou por perto lembro dessa história, porque para mim foi um dia muito marcante. De alguma forma, Bauru tem uma grande contribuição com o futebol mundial.
JC - Em 2013, Bauru foi cogitada para abrigar um clube seu, porque não ocorreu? Essa possibilidade ainda existe?
Falcão - Estávamos para fechar em Sorocaba e fomos chamados para avaliar a possibilidade de montar algo aqui, mas, na época, a cidade não tinha um ginásio adequado e que atendia todas as necessidades do que precisávamos. Então, acabamos montando em Sorocaba, que é o município que eu escolhi para morar. O projeto está muito bem por lá, não tem motivo para mudar para cá.
JC - Por que você deixa a seleção brasileira? Quais seus planos para o futuro?
Falcão - São 20 anos fazendo a mesma coisa, eu realizei meu sonho na seleção. Deixarei uma marca de 242 jogos e 385 gols (até agora). Foi uma história bonita. Confesso que sentar no sofá para assistir a um jogo não será fácil. Vai ser triste quando a ficha cair, mas chegou a minha hora, todos os esportes têm seus ídolos e eles fazem suas historias e depois vão embora. Meu último jogo pela seleção acontecerá em outubro, acredito que em São Paulo, mas não vou parar por aí. Minha carreira continua. Jogarei pelo meu clube, em Sorocaba.
JC - Você vai continuar contribuindo de alguma forma com a seleção?
Falcão - Por enquanto, ajudarei a seleção no que precisar, talvez na divulgação, no marketing.
JC - Pensa em se tornar técnico quando se aposentar de fato?
Falcão - Penso em ser algo na área administrativa, tanto da seleção quanto do meu clube. A rotina de treinador é muito maçante, é quase a mesma que a de um jogador e isso eu não quero para minha vida.
JC - Quais seus ídolos no futebol e no futsal?
Falcão - Meu amigo e meu maior ídolo é o Zico. No futsal, teve o Douglas e o Vander, que foram figuras que me inspiraram.
JC - Há algum atleta em potencial que você acredite que possa herdar seu posto no futsal?
Falcão - Vários, mas dependerá muito deles. Entre eles, dois nomes, o Leandro Lino e o Rocha, que são dois grandes atletas que estão despontando na seleção e que jogam na minha equipe. Espero que eles possam conquistar o público rapidamente porque nenhum esporte vive sem ídolos.
JC - Qual o gol mais bonito de toda sua carreira em sua opinião?
Falcão - O gol da final (do Mundial) de 2012, contra a Espanha, e o gol da final de 2007, do Pan-Americano, contra a Argentina. São gols que foram em finais e os que mais me marcaram em todos esses anos.