Muita gente não percebeu, mas durante a transmissão do jogo entre Brasil e Uruguai pelas eliminatórias da Copa do Mundo as placas de publicidade do Estádio Centenário exibiram propaganda do programa "Cidade Linda", da prefeitura de SP. O anúncio foi doação da rede de farmácias popular Ultrafarma.
Desde que assumiu o mandato, o prefeito João Doria (PSDB) recebeu doações de laboratórios para suprir o déficit de medicamentos. Já a Ultrafarma doou R$ 600 mil à prefeitura. O que está por trás deste gesto?
Afinal, gentileza gera gentileza. Doria está intensificando as parcerias-público-privadas (PPP) e todo dinheiro do contribuinte que deveria ser aplicado no fortalecimento dos serviços públicos migram para as contas bancárias da iniciativa privada. É o Estado a serviço do capital e em tempos de crises os empresários agradecem.
Há setores da direita que já enxergam Doria como presidenciável, isso porque os primeiros da lista do PSDB, Aécio, Serra e Alckmin (não necessariamente nessa ordem), estão citados na operação Lava Jato.
Embora por lei não se configure claramente em propaganda antecipada, há sim um interesse em promover sua imagem, por meio de um financiamento privado. O que as empresas estão ganhando em troca do que oferecem?
É só ver quanto a Odebrecht doou e o quanto recebeu durante décadas.