08 de julho de 2026
Geral

As 'vítimas' de uma tragédia 'fake'

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Simulado realizado pela ViaRondon reuniu ainda esquipes dos bombeiros e do Samu para o trabalho de resgate das "vítimas" 
Matheus Henrique Silva "entrou em estado de choque" e precisou ser acalmado por um dos bombeiros 

Deitado sobre o asfalto quente e preso aos eixos traseiros de uma caminhonete, Washington Souza Severino vivenciou, por alguns minutos, o drama de uma vítima de atropelamento. "A sensação é horrível", declarou o ajudante de ferragem, 32 anos. O som das sirenes de dez viaturas de resgate davam o tom: a situação era gravíssima. Além de Washington, mais cinco operários que trabalhavam nas obras das marginais do trecho urbano da Marechal Rondon (SP-300) foram "atingidos" pelo veículo, nessa quinta-feira (30) de manhã.

Um deles, infelizmente, não sobreviveu. Mas se acalme! Tudo não passou de um simulado de acidente realizado pelo Concessionária ViaRondon, em parceria com o Corpo de Bombeiros, Samu, PM, Policiamento Rodoviário, Emdurb e construtoras.

A cena mais parecia uma produção hollywoodiana. De tão real, muitos compartilharam as imagens por grupos de celular durante o todo dia como se fosse um acidente de verdade. As vítimas foram até maquiadas. Um dos operários, Matheus Henrique Silva, 21 anos, "entrou em estado de choque". "Cadê o meu irmão, cadê o meu irmão!", gritava.

Ele procurava por Washington, que ficou enroscado embaixo da caminhonete, com "fratura exposta na perna e ferimentos na cabeça". "Me coloquei no lugar de uma vítima de verdade. A gente fica pensando se vai sobreviver. É desesperador ver os colegas caídos no chão".

A experiência causou um impacto educativo em Washington, que passou a enxergar com mais afinco a importância de sempre estar atento aos perigos do trânsito. "A gente trabalha próximo da rodovia. É perigoso. O simulador me fez pensar que preciso redobrar os cuidados", frisa.

FATAL

Após ser "atropelado", o auxiliar geral Andre Luiz Ribeiro, 38 anos, acabou sendo arremessado contra um poste de iluminação pública. O impacto da batida foi tão forte que, quando as equipes de resgate chegaram, ele já estava sem vida. Por sorte, ele era mais um dos "atores" do simulado.

Na escola, Andre participava de peças teatrais e, certa vez, foi crucificado ao interpretar Jesus Cristo para celebrar a Sexta Santa. "Mas algo igual a hoje (nessa quinta-30), nunca tinha feito. É um sentimento estranho, de vazio".

Assim como o colega de trabalho Washington, ele também passou a refletir sobre as medidas de prevenção de acidentes. "Com o tempo, a gente acaba relaxando um pouco. A partir de agora, ficarei mais atento", projeta Andre.

Exercício fundamental

Treinar e atualizar todos os procedimentos dos profissionais que atuam em ocorrências nas rodovias. Este foi o objetivo do simulado de acidente realizado nesta quinta, na quadra 2 da rua Sérgio Arcângelo, Jardim Niceia, conforme destacou a ViaRondon, em nota.

A concessionária destaca que o exercício reuniu mais de 45 pessoas, entre colaboradores, equipes de atendimento, de resgate, de apoio e operacionais. O cenário apresentou seis vítimas de atropelamento: uma fatal, uma grave e quatro em estado moderado.

Conforme a reportagem apurou no local, as equipes (duas viaturas da ViaRondon, três dos bombeiros e cinco do Samu) levaram em torno de 10 minutos para chegaram ao local, que teve a via interditada. O resgate durou cerca de 15 minutos. As vítimas foram levadas para o PS.

"Um dos pontos do simulado é contabilizar o tempo de deslocamento das equipes, ver como se comportam durante o atendimento e como é feita a triagem para as unidades hospitalares, sempre buscando o aprimoramento", resume o capitão dos bombeiros Artur Scachetti.