| Aceituno Jr. |
| Militantes e lideranças do PT estiveram no Café com Política, no JC: Jaime Rutia, João Felix Filho, Luiz Marinho, Marcos Roberto de Oliveira, Jesus Garcia, Everton Matos e João Felix |
Prefeito de São Bernardo do Campo até o final do ano passado e ex-ministro do governo Lula (Trabalho e Previdência), Luiz Marinho passou ontem à noite por Bauru para dialogar com militantes do Partido dos Trabalhadores na Câmara Municipal. Antes, concedeu entrevista no Espaço "Café com Política", do Jornal da Cidade. A legenda, que busca se reconstruir no País, promove eleição direta nos diretórios municipais e macrorregionais, no domingo dia 9 de abril. Em maio, acontece a eleição estadual, e no mês seguinte a escolha do comando nacional.
Marinho é candidato à presidência estadual do PT, integrando a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), que é a majoritária dentro da legenda, com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros quadros históricos do PT. A sigla vai fazer um Processo de Eleição Direta (PED) de forma antecipada, até por conta da situação vivida no ano passado, mas manterá o PED de 2019. "É um processo de transição. O PT sofreu uma grande derrota eleitoral, talvez a maior da nossa história, o que obriga a uma necessidade de repactuar a militância. Haverá um processo de eleição direta nos diretórios municipais e macros, e de delegados para o pleito estadual e nacional", frisa Marinho.
A eleição presidencial de 2018 é o grande foco dos petistas. "A crise que passamos no Brasil, tanto política quanto econômica, entendemos que a solução está no processo eleitoral do próximo ano. É bom provável que tenhamos candidato a governador em São Paulo, e certamente a presidente da República. Também vamos buscar um fortalecimento no Parlamento, chamando todas as nossas lideranças para que se candidatem a deputado federal em 2018", relata.
A campanha com a presença de Lula é dada como certa no partido. "Acho que isso não é dúvida nem entre os adversários. O povo em algum momento foi levado a ficar chateado com o nosso partido, não queria nos ouvir. A caracterização do golpe contra a presidenta Dilma (Rousseff), em que se rasgou a Constituição, levou ao poder o PSDB, que é quem dá sustentação ao (Michel) Temer. Isso coloca para o povo uma saudade do que foi construído no governo Lula, o que se reflete nas pesquisas, na qual ele lidera", menciona Marinho. "O trabalho agora é de recuperar o partido, em todo o País", completa.
Sobre uma união dos partidos de esquerda, o ex-ministro diz que não vê problemas em mais de um candidato disputar a Presidência - o PDT, por exemplo, pretende lançar Ciro Gomes. "Eu vejo com muitos bons olhos uma eventual candidatura do Ciro. O PT e o PDT podem se aliar no segundo turno. Vejo um cenário parecido com 1989, com uma pulverização de candidatos, e um segundo turno com propostas claras de cada um dos lados", comenta o candidato.
REFORMAS
O PT se posiciona de forma contrária às reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo atual governo. "Espero que a gente consiga evitar o desmonte da previdência. O placar na votação da terceirização foi relativamente apertado. Agora, é tentar manter essa votação dos que são contrários e trazer mais alguns deputados que eram a favor para votar contra a reforma previdenciária. Este projeto de terceirização que foi aprovado estava na gaveta desde o governo do Fernando Henrique Cardoso e é muito atrasado, podendo levar a processos de "pejotização" em vários setores e acabar com direitos trabalhistas", afirma. "O que deixa a previdência com rombo é o alto desemprego. Conseguimos superávit no governo Lula, pois foram criados 22 milhões de empregos, e isso contribui com o caixa da previdência", conclui.