Da perda de peso à necessidade de obter mais energia. Os tempos são outros e o perfil dos pacientes que procuram por nutricionistas acompanhou esta tendência. O estresse, associado à alimentação incorreta, leva ao cansaço e, consequentemente, não há condições de preparar refeições saudáveis. No último dia 31, foi celebrado o Dia Nacional da Saúde e Nutrição.
É um círculo vicioso, conforme constata a nutricionista Eliane Petean Arena. Segundo ela, do ano passado para cá, quase 80% de seus pacientes se queixaram de falta de energia. Antes, a maioria das reclamações se tratava de excesso de peso.
Eliane explica, ainda, que a crise econômica reflete diretamente nesta mudança de perfil. "A preocupação afeta a parte emocional, que está relacionada ao metabolismo. Uma pessoa ansiosa, por exemplo, apresenta elevada produção de cortisol e não queima gordura. Com isso, há uma queda de oxigenação, levando à falta de energia", justifica.
Professora de nutrição da Universidade do Sagrado Coração (USC), Maria Angélica Martins Lourenço considera que, atualmente, o estresse e a falta de tempo podem levar à alimentação desequilibrada. Logo, as reclamações de falta de energia tiveram, sim, um aumento significativo.
"O ser humano se alimenta para satisfazer duas necessidades básicas: obter substâncias essenciais ao funcionamento do organismo e adquirir energia para realizar as atividades diárias. Quando a alimentação é deficiente, seja pela falta ou pelo excesso de algum alimento ou nutriente, pode-se observar prejuízo das funções básicas do corpo e falta de energia, observada comumente pelo cansaço excessivo", opina.
E AGORA?
Eliane acredita que a solução seja a tríade: alimentação equilibrada, exercícios físicos e fitoterápicos ou soluções frequenciais - produtos naturais que equilibram o funcionamento das células. Inclusive, citou um exemplo de cardápio prático e saudável. Nele, verduras, legumes, proteínas e castanhas são protagonistas (veja ilustração).
Isso não quer dizer que há uma privação das chamadas guloseimas. "Os eventos sociais fazem parte da vida. Porém, tem de haver um equilíbrio. Em vez de comer três pedaços de bolo de aniversário, por que não se limitar a apenas um?", questiona.
Já Maria Angélica alega que a alimentação é uma necessidade humana vital, na qual a comida e o ato de se alimentar envolvem aspectos psicológicos, fisiológicos e socioculturais. A ciência da nutrição destaca que todo indivíduo deve ter uma alimentação saudável e equilibrada, tanto em qualidade quanto em quantidade.
Hábitos alimentares inadequados, principalmente, pelo alto consumo energético levam à obesidade e à deficiência de nutrientes, que afetam bilhões de pessoas no mundo, refletindo no aumento das doenças crônicas não transmissíveis, tais como diabetes, hipertensão, dislipidemias, entre outras.
Uma alimentação saudável consiste em consumir alimentos variados e em quantidades adequadas. "Para tanto, é importante fazer dos alimentos in natura - ou minimamente processados - a base da alimentação, além de fugir de gorduras, sal e açúcar em excesso. Outra dica é planejar as refeições para que, mesmo diante correria do cotidiano, seja possível se alimentar de forma adequada", finaliza.