| Malavolta Jr. |
| Gabriel Valeriano em atividade na Apae: treinamento dá "dica" |
O autismo, também chamado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma alteração no desenvolvimento, que geralmente aparece nos três primeiros anos de vida. Ela provoca déficit na comunicação e na interação social, além de comportamentos repetitivos e áreas restritas de interesse. Embora alguns portadores do transtorno necessitem de supervisão por toda a vida, outros conseguem ter uma rotina comum, apesar da condição.
Em Bauru, uma técnica simples tem ajudado e até acelerado o processo de independência dos portadores de TEA que frequentam a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), os auxiliando também a ingressarem mais rápido no mercado de trabalho.
Neste domingo (2), é comemorado o Dia Mundial do Autismo. A data, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, chama ainda mais a atenção para a conscientização sobre o tema.
DESAFIOS
É por meio de símbolos, cores, desenhos e palavras, grafadas em pequenas fichas de papelão depositadas ao chão, que os alunos são desafiados a entender as sinalizações. Na sequência, estimulados a enfrentar obstáculos dispostos no solo de acordo com a regra sinalizada.
O treinamento é inserido tanto nas aulas de educação física ofertadas na educação especial da Apae quanto nos cursos profissionais da entidade. Aos poucos, as sinalizações com as "dicas" visuais vão sendo retiradas pelos monitores e o aluno passa a generalizar e a associar os conceitos aprendidos dos símbolos, cores e desenhos nos ambientes do seu cotidiano. E com isso, ganha autonomia.
"O autista possui dificuldade em fazer atividades físicas. Com os exercícios, eles ganham também maior noção de equilíbrio, lateralidade, além de treinarem o agachar, o engatinhar e o pular, situações comuns no dia a dia de qualquer pessoa ou trabalhador", pontua Wesley Becker, coordenador pedagógico do Centro Especializado em Autismo e Patologias da Apae.
| Douglas Reis |
| Pedro Salles Junior sorri no supermercado onde trabalha: "Hoje, ganho o meu dinheiro" |
Técnica simples, mas que para o autista Pedro Sales Júnior, de 25 anos, por exemplo, fez toda a diferença ao ingressar no primeiro emprego.
Empacotador em um supermercado da cidade (Tauste), ele passou por vários treinamentos e hoje até ônibus pega sozinho. "Minha família não confiava em mim, eu não fazia nada sem eles. Isso me deixava muito bravo e revoltado. Hoje, ganho o meu dinheiro e vou e volto do trabalho como qualquer adulto normal e responsável", afirma.
Assim como ele, outros 71 alunos da Apae estão inseridos no mercado de trabalho, atualmente, em Bauru. Em um projeto que integra cerca de 20 empresas parceiras da entidade. Gabriel Valeriano Rodrigues, de 23 anos, também portador de TEA, deve ser o próximo da lista. Além do treinamento, ele está em fase de visitação das empresas.
"Estou conhecendo o que pode ser meu futuro trabalho", comenta o estudante. Vale ressaltar que, além da Apae, Bauru possui outras duas entidades que atuam com os portadores de TEA, a Associação dos Familiares, Amigos e Pais dos Autistas de Bauru (Afapab) e a Sorri.
ACREDITAR
Confiança e independência que parecem inalcançáveis aos olhos dos pais das crianças que chegam na porta da entidade, logo após o disgnóstico da síndrome.
"A maioria das famílias chega desiludida aqui, acreditando que os filhos nunca serão independentes. E nós provamos o contrário. Com os estímulos certos, eles adquirem autonomia e começam a se arriscar mais", pontua Maria de Lourdes Beraldo Oliveira, professora da educação profissional na entidade.
Autismo tem passeio ciclístico e caminhada hoje cedo na Getúlio
Para marcar o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, cuja data exata é hoje, 2 de abril, a Apae Bauru realiza o 4.º Passeio Ciclístico da Autodefensoria e a 2.ª Caminhada pelo Autismo. Ambos os eventos são abertos e terão ponto de partida na quadra 15 da avenida Getúlio Vargas, com concentração a partir das 8h. Aos participantes é pedido um quilo de alimento não perecível e trajes na cor azul, que é a cor do autismo.
No local, também haverá aula de zumba, oferecida pela Academia Speed Fitness, além de sorteio de brindes. O evento é planejado e organizado por Matheus Gumiero, aluno do Centro Integrado Profissionalizante, que atua como Autodefensor na Apae Bauru.
A autodefesa possibilita às pessoas com deficiência assumirem o controle de suas próprias vidas, de modo a se comportarem e a serem tratadas da mesma maneira que as outras pessoas de sua comunidade.
Mais informações pelo telefone (14) 3106-1252.
Sintomas e diagnóstico
O primeiro "mamãe" e "papai" da criança ou as primeiras palavrinhas surgem, normalmente, por volta de 1 ano. Mas e quando isso não acontece? Umas das áreas mais afetadas nas pessoas com TEA é a comunicação e o atraso na fala pode sim ser sinal de alerta. Existem também outros sintomas comuns como dificuldade de interação social, interesse restrito e comportamentos repetitivos.
O diagnóstico positivo, no entanto, depende de análise neuropediátrica. Afinal, é preciso cuidado para diferenciar um atraso de linguagem de um caso de autismo, já que os dois casos têm características em comum.
O autismo afeta predominantemente a interação social, o desenvolvimento da comunicação e o desenvolvimento do jogo simbólico (dificuldade para se engajar numa brincadeira ou para brincar com brinquedos que normalmente as crianças brincam).
E as crianças que não possuem problemas em articular as palavras, por exemplo, exibem dificuldades no uso da linguagem pragmática como saber o que dizer, como dizer e quando dizer tanto quanto interagir socialmente com as pessoas. Muitas que falam dizem coisas sem contexto ou informação. Outras repetem o que ouviram ou discursos que memorizaram em algum momento. Algumas crianças autistas falam cantando ou usando uma voz mecânica como se fossem robôs.