11 de julho de 2026
Articulistas

Novas regras do cartão de crédito podem evitar o endividamento 'bola de neve'

Mauricio Valim
| Tempo de leitura: 2 min

O indicador divulgado recentemente pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apontou que 58,9 milhões de brasileiros estão negativados. Isso significa, em termos percentuais, que 39,25% dos brasileiros estão com o nome sujo. Os maiores vilões da inadimplência são os empréstimos (76,1%) e os cartões de lojas (73,1). Parcelas pendentes no cartão de crédito correspondem a 62,1%.

Quando o motivo da dívida é o atraso do pagamento da fatura do cartão de crédito, o problema é bem preocupante. A taxa de juros cobrada dos consumidores brasileiros que não pagam o valor total da fatura do cartão chega a 475% ao ano, de acordo com o Banco Central. Esse percentual, também conhecido como rotativo do cartão, que é quando o cliente faz o pagamento mínimo da fatura, também está na lista dos principais fatores do endividamento das famílias. E cerca de 40% das pessoas que entram no rotativo também atrasam o pagamento e entram em uma bola de neve de dívidas, que parece nunca chegar ao fim.

Um ranking que está longe de trazer orgulho para o Brasil coloca o país na liderança no quesito cobrança de juros de cartão de crédito em comparação com outros seis países. No Peru, essa cobrança é de 43,7%, na média anual. Na sequência, aparecem a Argentina (43,29%), a Colômbia (30,45%), a Venezuela (29%), o Chile (24,90%) e o México (23%).

Para reduzir a inadimplência e evitar o superendividamento, a partir do dia 3 de abril o cartão de crédito passa a ter novas regras. Na prática, o consumidor não vai mais ficar preso ao pagamento mínimo da fatura. Sempre que o consumidor entrar no crédito rotativo, depois de 30 dias o banco terá de oferecer ao cliente um parcelamento do saldo devedor. O consumidor também fica com a opção de, depois desse prazo, fazer o pagamento à vista. Caso ele não escolha nenhuma das duas alternativas, daí sim ele ficará inadimplente. A expectativa do governo é de que as taxas de juros caiam pela metade e o cliente fique por menos tempo no rotativo do cartão.

Talvez não seja uma atitude simples, mas uma boa recomendação é que o cliente não faça novas dívidas no cartão de crédito até que tudo esteja sob controle. Embora as novas regras ofereçam juros mais baixos que o rotativo, mas continua sendo uma dívida e o risco de se complicar financeiramente é sempre eminente. Ou seja, melhora, mas não resolve. Outra possibilidade a ser avaliada é pegar um empréstimo para quitar a fatura, ao invés de ficar apenas no pagamento mínimo.

O autor é CEO da KiiK, fintech com foco em mobile payment.