09 de julho de 2026
Política

ATUALIZADA - Ação de Lula acentua racha interno no PT

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

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CATIA SEABRA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma intervenção do ex-presidente Lula acentuou a crise interna do PT. Na noite de segunda-feira (3), Lula convenceu dois pré-candidatos da corrente Construindo um Novo Brasil, a maior da sigla, a desistir da disputa pela presidência do PT em favor da líder do partido no Senado, Gleisi Hofmann (PR).

O argumento era de que o senador Lindbergh Farias (RJ) também abriria mão de disputar se a senadora fosse lançada pela tendência.

Após uma reunião de mais de três horas no Instituto Lula, os dirigentes da CNB se renderam e divulgaram uma nota informando que seus dois pré-candidatos -o ex-ministro Alexandre Padilha e o tesoureiro do PT, Márcio Macedo- sairiam da disputa em apoio a Gleisi. Na nota, a CNB definia o gesto como um esforço pela unidade da sigla.

No entanto, na terça (4), Lindbergh resistiu aos apelos de Lula. Em conversa com o ex-presidente, disse que não poderia recuar.

A senadora diz que não gostaria de concorrer contra Lindbergh, seu aliado no Senado. Gleisi avisou interlocutores que só anunciaria candidatura após conversa com Lula. Como ela está na Alemanha, a reunião ficará para a semana que vem.

Lindbergh, ao contrário, disse a Lula que uma eleição interna seria uma demonstração de vitalidade partidária e prometeu uma campanha elegante contra a colega. Para surpresa de Lula, o senador alegou que já estava em campanha e argumentou que não poderia abandonar seus apoiadores, os integrantes do movimento "Muda PT".

Segundo relatos, ele até admitiu a hipótese de abrir mão, mas apenas às vésperas do congresso partidário, programado para junho. Lula disse que seria tarde demais. Em conversas, Lindbergh disse que nunca se comprometeu a desistir em apoio a Gleisi, mas que apenas que se calou ao ouvir a proposta de Lula.

A persistência de Lindbergh causou constrangimento à CNB, que abdicou de seus candidatos. A escolha contraria particularmente os deputados do PT, queixosos do comportamento de Gleisi à frente da Casa Civil do governo Dilma. Dizem que nunca eram recebidos pela então ministra. Os integrantes da CNB temem que ela seja "uma segunda Dilma", pela dificuldade de acesso.

Também lembram que ela ficou contra a própria corrente e ao lado de Lindbergh no debate sobre a sucessão no Senado. Contrariando Lula, ela se opôs ao apoio a Eunício Oliveira (PMDB-CE), hoje presidente da Casa.

Mantida a candidatura de Lindbergh, o PT terá dois candidatos citados na Operação Lava Jato. Gleisi é ré sob acusação de recebimento de propina para pagamento de gastos de sua campanha ao Senado. O inquérito sobre Lindbergh foi arquivado. Ambos negam irregularidades.