11 de julho de 2026
Política

Greve: servidores retomam mobilização nesta quarta-feira; prefeito não fará nova proposta

Marcus Liborio e Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Após segunda contraproposta da prefeitura em menos de duas horas, maioria dos servidores votou pela continuidade da greve

Servidores municipais em greve retomaram mobilização nesta quarta-feira de manhã. A categoria está reunida na sede do Sinserm, na rua Saint Martin, e uma nova proposta é elaborada para envio ao Palácio das Cerejeiras.

Já a manhã da terça-feira (4) foi marcada por intensas negociações entre prefeitura e Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região com objetivo de colocar fim à greve, que completa nove dias nesta quarta (5), com adesão de 490 funcionários, segundo dados do Executivo. Já o Sinserm fala em 600 trabalhadores parados.

Como não houve acordo, o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) bateu o martelo e disse que a última proposta apresentada ontem é a que estará no projeto de lei que será enviado à Câmara.

O município ofertou duas contrapropostas em menos de duas horas, sendo a primeira repudiada de imediato pelo sindicato antes mesmo de comunicá-la aos trabalhadores, e a segunda rejeitada pela maioria em votação. Secretário da Administração, David Françoso disse, mais uma vez, que a prefeitura já chegou ao limite. 

Conforme o JC noticiou, a categoria havia apresentado ao prefeito Gazzetta, na última segunda-feira (3), novos números para análise, como parcela fixa de R$ 100,00, incorporada ao salário base de todos os servidores (a prefeitura oferece R$ 20,00).

Solicitou ainda o vale-compra de R$ 410,00 imediato, pagos de forma retroativa a partir de 1 de março (na ocasião, o município havia oferecido R$ 392,00 agora e R$ 410,00 a partir de janeiro de 2018). Foram mantidos, contudo, os 2% de reposição salarial e o abono-refeição de R$ 350,00.

A primeira contraposta apresentada pela prefeitura, às 9h30 dessa terça-feira (4), somente antecipava o vale-compra (no valor de R$ 410,00) para agosto deste ano. A oferta foi descartada pelos representantes do sindicato de imediato.

Diante da recusa, o próprio secretário da Administração, David Françoso, recolheu a proposta para formular uma substituta. Cerca de duas horas depois, por volta das 11h, ele retornou à sede do Sinserm com as novas considerações.

O segundo texto do dia antecipava o vale-compra para dezembro e a vantagem pessoal de R$ 80,00 também para o último mês do ano (para quem ganha acima de R$ 2 mil). Em votação, a maioria dos servidores deliberou pela manutenção da greve.

Advogado do Sinserm, José Francisco Martins ressalta que a categoria já "fez o possível para ceder, diante da situação econômica da prefeitura". Ele entende que não é viável a antecipação de apenas 30 dias dos benefícios.

"O governo fecha dois quadrimestres no mês de outubro. É um tempo bastante razoável para buscar mais receitas e cortar gastos, podendo, então, fechar um acordo plausível", observa Martins.

Ele informa que o sindicato manterá a contraproposta feita na segunda-feira e deve aguardar um posicionamento da prefeitura para possível melhora da oferta, principalmente no que diz respeito aos prazos dos benefícios.

NO LIMITE

Para o prefeito, a negociação chegou ao limite. "Não temos mais o que oferecer, na realidade fomos até além do limite. A última proposta foi essa, que enviamos hoje (nessa terça-4) pela manhã. E é esta proposta que vamos enviar no projeto de lei para a Câmara, o Jurídico da prefeitura já está montando o projeto que vamos encaminhar, porque o reajuste precisa ser votado pelos vereadores".

Sobre as medidas que serão tomadas a partir de agora, Gazzetta prefere ponderar. "Vamos conversar na prefeitura para saber o que será feito, mas claro, tudo dentro da lei. Respeitamos o direito de greve dos servidores, porém, os serviços também não podem ser prejudicados. Mas tudo será analisado com calma", comentou, ao ser questionado sobre a possibilidade de cortar ponto ou exigir a compensação de horas. "Mas, caso isso aconteça, a ideia é não ter nada retroativo, ou seja, passaria a valer a partir da decisão", concluiu.

EM NÚMEROS

Segundo o balanço da prefeitura, a Educação é o setor mais atingido pela greve, com 314 servidores parados. Em seguida, aparecem as secretarias de Saúde (91), Obras (40), Semma (33), Sebes (3) e Finanças e Cultura (com 1 cada). Na administração indireta, são seis funcionários do DAE e apenas um da Emdurb.