09 de julho de 2026
Geral

Deslizes 'óbvios' facilitam vida dos ladrões em bancos

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

J. Serafim Show/Divulgação
Prevenção: capitão Bruno de Oliveira, da PM, deu dicas de segurança a gerentes de banco

"Dinheiro atrai bandido e a instituição bancária gera um interesse muito grande". A frase é do capitão Bruno de Oliveira, comandante da 1.ª Companhia da PM em Bauru. Durante evento da Caixa Econômica Federal, ontem, ele listou os erros mais comuns que continuam ocorrendo em agências por clientes e alertou funcionários sobre cuidados preventivos.

A palestra é uma parceria da Polícia Militar com instituições públicas e privadas, com objetivo de dificultar a ação de ladrões através de medidas básicas de segurança. O encontro ocorreu na agência da quadra 21 da Getúlio Vargas e reuniu 58 gerentes-gerais de agências que atendem 95 municípios da Superintendência Regional da Caixa.

"A ideia é proporcionar alguma referência de segurança pública na atividade privada, que, de certa forma, reflete também no cidadão que usufrui do serviço bancário", ressalta Bruno, listando deslizes "óbvios" que ainda são cometidos por boa parte dos clientes, principalmente na área de autoatendimento.

"Os quatro erros mais comuns são: carregar dinheiro de forma exposta após realizar saques em caixas eletrônicos; não estar acompanhado de outra pessoa que possa auxiliar na transação e observar o ambiente, pedir ajuda a pessoas estranhas; e carregar consigo senhas anotadas em papel", discrimina.

O capitão da PM ressalta que, ao manter certas cautelas, passa a ser mínima a chance de alguém se tornar alvo dos assaltos em "saidinha de banco". Ele traça um cronograma que inclui programar o deslocamento do cliente à agência e forma de transportar a quantia retirada no autoatendimento.

"Mude sempre o trajeto, ou seja, não mantenha uma rotina específica quando tiver que ir a agências bancárias. Avaliar horários de muito movimento e sempre pensar na forma em que você vai levar o dinheiro. Deve-se manter discrição e, reforço: é importante estar na companhia de outra pessoa ao fazer saques de grande valor".

ATITUDES SUSPEITAS

Os cuidados se estendem também para os funcionários. "Há um grande foco na questão da segurança interna, que replica no cidadão. A partir do momento que eu mantenho os cofres fechados e movimentos internos conforme orientações, consigo evitar crimes", frisa a gerente de segurança da Superintendência Regional da Caixa, Renata Toledo de Almeida.

Cada movimento no interior do banco deve ser observado com bastante atenção. O capitão PM Bruno de Oliveira indica algumas evidências, como pessoas que ficam circulando dentro da agência sem entrarem em filas. A utilização do celular em ligações demoradas, por exemplo, também pode ser um indício.

"O indivíduo pode estar monitorando os clientes e avisando alguém que está do lado de fora. Para os funcionários, essas são duas características bem marcantes que devem ser observadas, sempre", diz Bruno. "Quando há esse tipo de atitude, a gente solicita a abordagem da pessoa", complementa Renata.

Atenção, funcionários 

Os cuidados com segurança devem partir dos próprios funcionários de agências bancárias, uma vez que a falta de medidas preventivas "abrem portas" para ações criminosas. O capitão Bruno de Oliveira elencou, durante a palestra, uma série de cautelas para o dia a dia.

Manter uma rede de relacionamento entre os trabalhadores (WhatsApp) e prudência no manuseio do dinheiro armazenado no cofre, bem como manter sempre o compartimento fechado, estão entre as medidas a serem seguidas.

"É importante, também, mudar a rotina fora do expediente, pois tudo que é feito nas horas de folga também pode ser observado pelos criminosos. O período da noite é bem crítico e requer cuidados redobrados", alerta.