10 de julho de 2026
Política

32 - 'Escudeiros' de Temer estão na lista de Janot

FolhaPress
| Tempo de leitura: 4 min

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Dois dos homens mais próximos ao presidente Michel Temer, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) tornaram-se alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal sob suspeita de cobrar propina para abastecer o PMDB.

Para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, há indícios das práticas dos crimes de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro.

Outros seis ministros também tiveram abertura de inquérito autorizada por Edson Fachin, ministro relator da Operação Lava Jato no STF.

As suspeitas contra Padilha e Moreira Franco se baseiam nas delações do ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht e outros cinco ex-executivos, entre eles Cláudio Melo Filho (Relações Institucionais), Benedicto Júnior (Infraestrutura) e Hilberto Mascarenhas (ex-chefe do Setor de Operações Estruturadas, conhecido como "departamento de propinas").

Conforme os depoimentos, Moreira Franco, que foi ministro da Aviação Civil, atuou em favor de interesses da Odebrecht no lançamento do edital da segunda rodada de concessões aeroportuárias. Em contrapartida, teria recebido R$ 4 milhões do grupo.

Ainda segundo os delatores, o pagamento foi feito a Padilha, que teria sido indicado por Moreira Franco para receber os recursos.

Fachin também autorizou abertura de inquérito para apurar se o ministro Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia e Comunicações), do PSD, recebeu da Odebrecht R$ 20 milhões entre 2008 e 2014, como afirmaram dois delatores.

No período, Kassab foi prefeito de São Paulo e ministro de Dilma Rousseff. Os recursos eram "vantagem indevida", segundo as delações. Para a Procuradoria, há indícios de corrupção ativa e passiva e ocultação de bens.

Outro ministro investigado é Marcos Pereira (Indústria), do PRB, citado por Marcelo Odebrech e mais três ex-executivos. Ele é suspeito de levar R$ 7 milhões para seu partido em 2014, em troca de apoio à chapa Dilma-Temer.

"Objetivava-se, com isso, assegurar maior tempo de antena à coligação 'Com a Força do Povo' e, de tal modo, gerar vantagem eleitoral à candidatura", diz o despacho de Fachin com base no pedido do procurador-geral.

Aloysio Nunes, ministro das Relações Exteriores, tornou-se alvo de inquérito junto com o senador José Serra (ambos do PSDB), com base em depoimentos de sete ex-executivos da empreiteira baiana, entre eles o ex-presidente Pedro Novis.

Os relatos são de que houve conluio entre a Odebrecht e as empresas Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Camargo Correa, Serveng, OAS, Mendes Junior, Queiroz Galvão, CR Almeida e Constran para a licitação do Rodoanel Sul, em São Paulo, com participação da estatal Dersa.

Segundo os colaboradores, em 2007, Serra, então governador de São Paulo, publicou decreto impondo às empresas renegociações de contratos. Nessa ocasião, a Dersa era dirigida por Paulo Vieira Sousa, conhecido como "Paulo Preto", ligado a Serra.

Após renegociação de valores, Paulo Preto teria pedido 0,75% do recebido por cada empresa, sob pena de alterações contratuais que as prejudicariam. A Odebrecht, então, diz ter pago R$ 2,2 milhões a uma offshore que seria de Amaro Ramos, supostamente operador do PSDB.

Também tucano, o ministro Bruno Araújo (Cidades) é investigado por supostamente ter recebido R$ 600 mil não declarados em 2010 e 2012, "a pretexto de doação eleitoral".

Araújo era deputado e teria defendido interesses da Odebrecht na Câmara, o que fez Janot ver indícios de corrupção e lavagem de dinheiro.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), é alvo de inquérito junto com o deputado Zeca do PT por supostos repasses ilegais em 2006, quando os dois foram candidatos aos governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, respectivamente. Maggi teria recebido R$ 12 milhões -haveria indícios de corrupção, e não de mero caixa dois.

O oitavo ministro sob investigação é Helder Barbalho (Integração Nacional), que teria recebido "vantagens indevidas" (R$ 3 milhões, em três parcelas) quando candidatou-se ao governo do Pará em 2014, segundo delatores.

Para a Procuradoria, há indícios do crime de corrupção.

OUTRO LADO

Os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco disseram que só se pronunciarão sobre os pedidos de investigação contra eles nos autos do processo. Moreira disse que o levantamento do sigilo resolve um problema que "estava emperrando o país."

Aloysio Nunes disse "que as afirmações são mentirosas" e que só irá se manifestar depois que tiver acesso ao conteúdo do pedido de inquérito. Bruno Araújo afirmou que, "de acordo com a legislação eleitoral", solicitou doações para diversas empresas, inclusive a Odebrecht. Blairo Maggi disse que não teve relação com a Odebrecht. O ministro Marcos Pereira afirmou que agiu sempre dentro da lei enquanto presidente de partido, buscando doações empresariais respeitando as regras eleitorais.

Helder Barbalho negou ter cometido ilegalidades e reafirmou que os recursos que recebeu como doações de campanha foram registrados junto ao TRE-PA.

O ministro Gilberto Kassab disse que depoimentos de colaboradores não são provas e negou irregularidades.