| Fotos: Douglas Reis |
| Integrantes do Movimento Social de Luta dos Trabalhadores percorreram as principais avenidas de Bauru, em ato nessa terça (12) de manhã |
| Marcio Oliveira critica decisão por reintegração de posse: "Onde vamos acomodar as famílias? Tem idosos e crianças vivendo nestes acampamentos" |
Integrantes do Movimento Social Luta dos Trabalhadores (MSLT) percorreram as principais avenidas de Bauru em protesto contra o cumprimento de reintegração de posse de áreas ocupadas por 700 famílias, marcada para o dia 23 de maio. Pacífico, o ato foi realizado na manhã dessa terça-feira (11) e reuniu cerca de 2,5 mil manifestantes, segundo estimativa do movimento. Já a PM fala em 800 pessoas.
Com rojões e palavras de ordem, os participantes saíram do Sambódromo, às 6h, e marcharam pela Nações Unidas e Rodrigues Alves. Depois, se concentraram no Palácio das Cerejeiras, encerrando a manifestação às 9h30. Nesta quarta-feira (12), uma assembleia na sede do Incra, em São Paulo, com a presença de Clodoaldo Gazzetta (PSD) e lideranças políticas do Estado, deve discutir a viabilização de áreas em Bauru.
Diretor do MSLT, Márcio Oliveira disse que o ato desta terça teve como objetivo chamar a atenção para a situação do acampamento Morada da Lua, cujas famílias reivindicam moradias definitivas. "Empresários alegam que os terrenos são deles, mas, na verdade, pertencem à União. Onde vamos acomodar as famílias? Tem idosos e crianças vivendo nestes acampamentos", aponta.
O advogado Adilson Sartorello representa alguns proprietários dos terrenos ocupados. Ele destaca que a reintegração de posse será cumprida em vários lotes, localizados nos jardins Mary, Marabá e Aviação. "São áreas loteadas. Existem documentos, em cartório, que comprovam isso. Não entendemos por que o movimento alega que são terras da União".
REUNIÃO
Sartorello participou de reunião idealizada pela Polícia Militar, nessa terça-feira (11), com objetivo de discutir o cumprimento da decisão judicial. Estiveram presentes no encontro também outros advogados e representantes do primeiro escalão do Executivo.
"Discutimos a possibilidade de os ocupantes deixarem os lotes antes da reintegração. Caso isso não ocorra, a ideia é que a ação seja totalmente pacífica", frisa o major João da Costa Duarte, coordenador operacional do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I).
Chefe de Gabinete, Majô Jandreice disse que a prefeitura está tentando viabilizar locais para acomodar as famílias. "Nossa preocupação é ampará-las, para que ninguém fique desabrigado. Em um primeiro momento, faremos um cadastro dessas pessoas".
Liberação de áreas será discutida hoje na sede do Incra
Reunião marcada para esta quarta, na sede do Incra em São Paulo, discutirá a possível viabilização de áreas para moradia em Bauru. Participam da discussão o prefeito Clodoaldo Gazzetta, o superintendente do órgão no Estado, Alexandre Pereira, membros do MSLT e lideranças políticas estaduais.
Gazzetta disse que o município está intermediando negociação com o Incra para liberação de 2.400 lotes na região do Horto Aimorés. “Vai ser possível reassentar grande parte dessas famílias. Haverá, entretanto, um critério para dar preferência por pessoas de Bauru”.
Em nota, o Incra disse que “o projeto de Assentamento Horto Aimorés já é uma área destinada à Reforma Agrária, criado em 2007 e com capacidade para 373 famílias assentadas. As reintegrações de posse ocorrem em casos de ocupação irregular dos lotes, ou seja, ocupação em desacordo com a legislação e as normativas do Incra”. A nota complementa ainda “que o Incra desconhece as demais áreas mencionadas”.