08 de julho de 2026
Geral

Estragos das chuvas deixam rastro

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Defesa Civil estadual vistoriou a ponte na estrada das Chácaras Bauruenses, em janeiro, após os temporais de início do ano; custos de reparo no local estão estimados em até R$ 1 milhão

Os reflexos das fortes chuvas de janeiro ainda podem ser percebidos em parte da cidade. Mesmo após três meses, a Prefeitura de Bauru, por falta de recursos, não conseguiu sanar todos os problemas. Entre os "rastros" deixados pela chuvarada, estão as ruas esburacadas, erosões e quedas de pontes rurais. O decreto de emergência do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), publicado no fim de janeiro, segue em vigor até o meio do ano.

Os governos estadual e federal reconheceram o decreto bauruense, porém, até agora, o município não recebeu qualquer verba para reparar os estragos. Todas as melhorias realizadas nestes quase 90 dias foram custeadas pela própria prefeitura. O coordenador da Defesa Civil, Sidnei Rodrigues, e o secretário de Obras, Ricardo Olivatto, explicam que alguns locais já receberam reparos, caso da ponte da estrada rural do Arco-Íris. Já a ponte que foi destruída nas Chácaras Bauruenses segue do mesmo jeito e não há previsão de quando será consertada. O custo pode ficar entre R$ 700 mil e R$ 1 milhão.

"Era uma ponte de madeira e o leito do rio alargou ali. Até dá para fazer outra ponte de madeira, mas o ideal seria construir uma nova estrutura, de concreto", explica Rodrigues. "A recuperação desta ponte está em análise (pela Defesa Civil estadual), não há previsão de quando poderemos ter alguma verba para isso", completa o secretário Olivatto. Os moradores das Chácaras Bauruenses reclamam que, agora, precisam dar uma volta maior para acessar o bairro rural, utilizando a estrada que vai até o IPMet da Unesp.

Recursos

Em resposta a questionamento da reportagem, a Defesa Civil Estadual informa que o processo está tramitando no órgão. "Foi registrado um pedido de recursos financeiros para reconstrução de uma ponte, no acesso à Toca da Coruja, sobre o córrego do Pinheiro (Chácaras Bauruenses). A vistoria por técnicos da Defesa Civil do Estado foi realizada, no dia 26 de janeiro, constatando tratar-se de uma obra de defesa civil". Aguarda-se deliberação da Casa Civil (concessão de autorizo para celebração de convênio)", acrescenta a assessoria de imprensa.

A prefeitura também quer recuperar a ponte sobre o córrego dos Macacos, já nas proximidades com a divisa de Avaí, mas também esbarra na falta de recursos. Em 2016, Bauru já havia decretado emergência por conta das chuvas. Na ocasião, a água do Rio Batalha chegou a entrar nas bombas do DAE, desabastecendo a cidade por dias. Outro prejuízo foi a queda da ponte do Boa Vista, também sobre o Batalha, na divisa entre Bauru e Piratininga (continuação da Rua Bernardino de Campos).

"Lá conseguimos recuperar só no final do ano, mas foi com uma estrutura de madeira. O ideal é que, no futuro, seja construída uma ponte com estrutura de concreto ou mista (concreto e metal)", menciona Sidnei Rodrigues.

Erosões

A Secretaria de Obras também deve concluir, até o fim de abril, a contenção de uma erosão na região da Vila Ipiranga. Outra erosão, contudo, vem preocupando ainda mais a Defesa Civil, no final da Rua Alves Seabra, na região do bairro Buritis e Parque Roosevelt. O problema chegou a ser relatado recentemente na Câmara Municipal, pelo vereador Miltinho Sardin (PTB), que exibiu imagens do local.

"Foi uma erosão que surgiu também com as chuvas de janeiro e fevereiro, mas só fomos saber depois. Lá "rodou" a galeria de águas pluviais e parte da rede coletora de esgoto. E de lá a água segue para a região da Nações Unidas Norte (córrego Água do Castelo). É a erosão que mais nos preocupa no momento", frisa Sidnei Rodrigues.

Buracos nas ruas

O problema decorrente das chuvas mais visível para grande parte da população são os buracos e a deterioração do asfalto. As crateras pipocam por toda a cidade. Logo após os temporais, algumas ruas precisaram receber nova capa asfáltica na Vila Ipiranga e Jardim Carolina, áreas que foram bastante afetadas pelas chuvas. Parte da pavimentação da avenida Nações Unidas, na região central, também precisou ser refeita. Para agilizar o tapa-buraco, a Prefeitura de Bauru abriu licitação e contratou empresa privada, que fornecerá a massa asfáltica, mão de obra e equipamentos, por um período aproximado de três meses, conforme o JC divulgou.

"A intenção é agilizar a recuperação das vias, mas mantendo normalmente os serviços que as equipes da prefeitura executam. Serão trabalhos simultâneos", explica o secretário de Obras, Ricardo Olivatto. O DAE também diz que apenas agora está retomando o ritmo ideal de reparos de vazamentos, justamente pelo aumento da demanda no período chuvoso. O tempo de resposta estava em seis dias no período de chuva. Foi reduzido para três e a meta é chegar a um dia.