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Toda hora é hora de respirar fundo e recomeçar. Nem sempre é fácil. As datas especiais servem de motivação e a Páscoa é uma delas, já que representa a passagem para uma vida nova ao celebrar a ressurreição de Jesus. Entretanto, como manter as esperanças diante tantos problemas? As crises abalam a fé ou a fé ajuda a enfrentar os momentos de crise?
Na visão do padre Milton César Carraschi, da Paróquia São José Trabalhador de Bauru, o brasileiro é um povo de fé e, por isso, de esperança. "Apesar da crise econômica, ética, existencial ou familiar, consegue dar a volta por cima. Não significa que não se deixa abater, mas por ter esse elemento a mais que chamamos de fé, se sente mais forte para enfrentar a vida".
O filósofo Fausi dos Santos, professor da Instituição Toledo de Ensino (ITE), concorda. "No contexto social brasileiro de subdesenvolvimento, pobreza e miséria, a fé é um componente fundamental para que as pessoas não desistam de viver. Sem a fé, o desespero talvez fosse insuportável", opina.
Aliás, acreditar em alguma coisa faz parte da constituição psicológica do ser humano, de acordo com o antropólogo Cláudio Bertolli, professor da Unesp de Bauru. A religião institucionaliza esse processo.
"As igrejas estabelecem e defendem um código que diz como o fiel deve se comportar espiritualmente. As pessoas praticam a fé através dele. Esse código tenta não só explicar de onde vim e pra onde vou, como oferece um projeto de vida". E é justamente nos momentos de crise que fica evidente se a fé ou o projeto de vida de cada um é um impulso para agir ou uma desculpa para que as soluções "caiam do céu".
VALOR POSITIVO
O professor de filosofia lembra que é crescente o número de pessoas que buscam o alívio em clínicas e nas religiões. "A fé é um amparo emocional, serve como amortecedor afetivo e existencial nas grandes crises. O universo religioso é o pronto-socorro", destaca Fausi.
Para o sacerdote, parece que as pessoas estão se conscientizando de que para cada crise existe uma saída. "E que Deus não necessariamente é um tratamento, mas uma constante. Elas não têm deixado de buscar a Deus, com ou sem crise. A fé faz a pessoa ser mais centrada e até ajuda em processos de cura", avalia padre Milton.
Bertolli defende que a fé pode ser algo positivo no sentido social, de viver bem em comunidade e consigo mesmo. "Ajuda a pessoa a se posicionar para seguir em frente e motiva a resolução de problemas".
POR OUTRO LADO...
Fausi dos Santos pondera que o perigo está quando a pessoa usa a fé como muleta, pois abre mão das suas potencialidades e do seu dever, delegando tudo a Deus.
"Se participo de uma religião creio que um ser mais forte e poderoso me conforta e sustenta nos momentos críticos. A fé deve impulsionar a pessoa, mas se ela se escora e espera que tudo venha de cima, é alienação".
Nesse contexto, há segmentos ou denominações religiosas que usam da crise e da fragilidade dos indivíduos para lucrar. "O mercado da fé está pronto para oferecer a graça, o milagre em troca de algo. É manipulação da fé".
O professor de antropologia lembra que para muitos sobrevive a visão de que tudo que acontece na vida é porque Deus quer. "Trata-se de uma herança medieval na qual o mundo é um teatro em que o bem luta contra o mal e o ser humano é apenas um joguete nas mãos de um ou outro lado. Essa passividade é terrível", conclui Bertolli.
LUA CHEIA DEFINE O DIA DA PÁSCOA
Data cristã acontece aqui no Brasil no primeiro domingo depois da lua cheia de outono
Tanto a Páscoa judaica quanto a Páscoa cristã são festas móveis, porque dependem do calendário lunar. A Páscoa cristã, por exemplo, acontece aqui no Brasil, no primeiro domingo depois da lua cheia de outono, entre 22 de março e 25 de abril. Feriado essencialmente cristão, a Páscoa celebra o renascimento do líder católico Jesus Cristo. Entenda as simbologias que envolvem a data, considerada a mais importante para os católicos.
A Páscoa é antecedida pela Quaresma, um ritual que dura 40 dias e tem início na Quarta-feira de Cinzas, terminando no Domingo de Ramos - uma semana antes do feriado. Durante esse período, segundo a tradição religiosa, em busca da purificação é recomendada a penitência, como o jejum, que promoveria a libertação dos pecados.
FESTA JUDAICA
Para os judeus, a Páscoa se chama Pessach ou Passover. Significa a saída do Egito, conduzidos por Moisés. Dizem que o profeta ordenou que os hebreus, na noite do 14.º dia do primeiro mês da primavera, matassem um carneiro, assassem o animal e o comessem com pão sem fermento. Ela é celebrada por oito dias e comemora a libertação do povo judeu do cativeiro, no Egito, e a passagem através do mar Vermelho. É um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.
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| Tradição do chocolate começou na Inglaterra |
SIMBOLISMO DO COELHO
Além de ser símbolo da fertilidade, o coelho tem a ver com o renascimento da vida. Na Europa, a Páscoa coincide com o início da primavera (no Brasil, início do outono), quando toda a neve derrete e a vida ressurge, após o período de frio. Esse é o momento em que os coelhos, depois da hibernação de inverno, deixam suas tocas.
SIGNIFICADO DO OVO
No início do cristianismo, presenteava-se com alimentos. O ovo passou a ter duplo significado: além de ser um presente, era um símbolo de uma nova vida, lembrando o sepulcro de Jesus, que ressurgiu no dia de Páscoa. O chocolate foi introduzido na tradição na Inglaterra, quando a indústria do doce começou a se desenvolver. Chegou ao Brasil pelos portugueses.