09 de julho de 2026
Cultura

Microfone aberto à poética feminina

Lucas Mendes, Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Lucas Mendes
O Sarau do Viaduto já se tornou referência de arte democrática em Bauru: o microfone é aberto a todos

A literatura e a poesia estão na rua. É partindo dessa ideia que acontece mais uma edição do Sarau do Viaduto, encontro de poesia marginal e cultura, livre para todos os públicos. Na próxima quinta-feira (20), às 19h, o microfone estará aberto e a poesia terá abrigo no viaduto da avenida Duque de Caxias, no cruzamento com a avenida Nações Unidas.

Comparecendo em Bauru com muita bagagem em evento literários, a convidada da noite será Mel Duarte, poeta paulistana de 28 anos que também é slammer e produtora cultural, além de formada em comunicação social-RTV.

A promessa dela é de que "todas as 'bombas palavras' atinjam os presentes e sirvam de progresso", trazendo para o espaço a ótica da mulher negra.

"Falar da Mel é falar da nossa gente", garante Renato Bueno (Rapnobre), um dos idealizadores do sarau. Para ele, mulheres sempre tiveram a voz, mas o mundo "organizado em torno de uma estética e vontade machistas é que sempre limitou e ainda limita essa voz, presente desde sempre", pontua.

POESIA COMO REFÚGIO

Divulgação
Evento gratuito no cruzamento da Nações com Duque terá declamações da produtora cultural paulistana Mel Duarte

Atuando com literatura independente desde 2006, quando conheceu o movimento dos Saraus na cidade de São Paulo, Mel Duarte descobriu nas palavras um refúgio do "chicote vida", como ela explica e, desde então, mantém a literatura como sua fortaleza.

Já teve suas poesias publicadas em mais de 10 antologias e faz parte do coletivo "Poetas Ambulantes", que há quatro anos realiza intervenções poéticas dentro dos transportes públicos de São Paulo.

Além disso, é uma das organizadoras da batalha de poesias voltada para o gênero feminino "Slam das Minas- SP". A artista tem também dois livros publicados de forma independente: "Fragmentos Dispersos" (2013) e "Negra Nua Crua" (Ijumaa - 2016).

No final de 2016 foi vencedora do Rio Poetry Slam, o campeonato de poesia falada que aconteceu na Flupp (Festa Literária das Periferias), durante as comemorações dos 50 anos da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, com poetas de diferentes países.

"A Mel tem uma caminhada entre slams, saraus, feiras literárias e movimentos; ela sabe chegar. Poeta de peso", defende Rapnobre.

A ARTE NA RUA

Lucas Mendes
Renato Bueno, mais conhecido como Rapnobre, é um dos idealizadores do Sarau do Viaduto: ocupar e debater o espaço público

Iniciativa de expressão poética livre e transformadora, o Sarau do Viaduto propõe uma ocupação do espaço público por meio da cultura, ressignificando a própria cidade, enquanto suporte para a arte.

"As pessoas entenderam a proposta, que não é só ocupar aquele espaço do viaduto, mas ocupar a cidade como um todo e debatê-la", explica Rapnobre.

Para ele, o evento tem importância política. "Fazemos isso através da poesia, da música, da escrita, do grafite. E tudo isso se converte em poesia periférica, marginal, de rua, poesia preta, poesia feminista; a poesia assume um papel da arte que não aliena, mas emancipa".

Nessa "disputa pela cidade", a participação é aberta e gratuita, e qualquer pessoa pode chegar e se expressar, o que fomenta a diversidade e a troca de conhecimentos.

DA BAHIA

No embalo dessa mistura de culturas, haverá também um pocket show com a dupla Soteropolitanos.

Vindos de Salvador, eles estão na estrada tocando um repertório que tem um pouco da mescla da música brasileira, passando pelo samba, MPB, forró e o que mais rolar.

Essa edição do Sarau do Viaduto conta com a realização da Biblioteca Móvel - Quinto Elemento com patrocínio da Secretaria de Cultura de Bauru, via Programa de Estímulo à Cultura e apoio do Museu da Imagem e do Som Bauru - MISB, Casa do Hip Hop Bauru e TV Unesp.

SERVIÇO

Sarau do Viaduto: quinta, 20/04, às 19h, no viaduto da av. Duque de Caxias, cruzamento com av. Nações Unidas. Participação gratuita.