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| Os eppendorfs são utilizados para acondicionamento da cocaína |
Nem o tráfico de drogas tem escapado dos tempos bicudos na economia. Em Bauru, um homem de 33 anos confessou à polícia, após ser preso com drogas, que trocava cada 50 pinos (chamados eppendorfs) vazios e usados por uma pedra de crack com a traficância. As informações constam no boletim de ocorrência (BO) registrado sobre o caso.
No documento policial, o detido conta ainda que o frasco é valorizado por conta de seu alto custo no comércio, que chegaria a R$ 25,00 a cada 50 pinos.
A prisão em flagrante ocorreu no Parque Santa Cecília, região do São Geraldo, por volta das 15h40 da última terça-feira (18), em um terreno localizado na rua Benedita Cardoso Madureira.
PRISÃO
Segundo o BO, o homem foi abordado após atitudes suspeitas. Foi encontrado, em sua propriedade, R$ 23,00, além de um potinho vazio com 13 eppendorfs contendo cocaína. Na sequência, o Canil da PM foi acionado e o labrador Baruk encontrou 28 porções de maconha e duas porções de crack, enterradas no terreno em locais distintos, além de um pote de vidro com 81 pinos vazios. Também havia no local um maço de cigarro com outros 8 eppendorfs vazios no espaço.
O acusado negou a posse da droga, porém, acabou contando aos policiais que recebia crack em troca dos pinos vazios e higienizados.
Ele foi preso por tráfico de drogas e encaminhado para a Central de Polícia Judiciária (CPJ). Em virtude do histórico criminal dele, o delegado plantonista representou pela prisão preventiva.
Titular da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise), Luiz Augusto Puccinelli diz que a prática de reciclar eppendorfs já é conhecida. "Mas não é tão comum. Apenas alguns traficantes aceitam e trocam pinos vazios por droga. Tudo por economia", cita o delegado.
RISCO À SAÚDE?
A médica infectologista Maristela Pastore lembra que o risco maior à saúde é causado pelo próprio consumo da droga e não pelo reuso do eppendorf, que apenas condiciona a droga.
"O frasco em si já não é esterilizado, mesmo novo", cita. Situação que se difere, por exemplo, do reuso dos instrumentos utilizados pelos usuários para cheirar o pó, que podem conter secreções e saliva e, por isso, podem gerar risco de contaminação por hepatite.