Estou a ponto de desistir e me entregar a essa demência coletiva. Em um final de semana, em uma partida de futebol, um lance em que o jogador assume que ele havia feito a falta em seu próprio companheiro de time, isentando o jogador adversário que participava da jogada, da culpa, resultou em vários comentários, dentre eles esse que achei o mais bizarro: "Antes a mãe dele do que a minha" (numa forma clara de dizer que levar vantagem é normal).
Jogaram fora toda conduta ética, moral e civil pelo ralo, pois ser honesto virou status "tipo ter sangue azul", num país onde tudo é jeitinho, barganha, suruba e mazelas.
Assumiram com ações e palavras, de maneira mais deslavada, que levar vantagem é uma coisa normal, isso cabe também pra corja política - e o pior - olha que conseguem deixar ainda mais grave dizendo assim: "Eu sou honesto, você viu?", tornando a honestidade em troféu, um prêmio, um diferencial - é como ouvir "eu sou evangélico, católico, espírita ou sei lá o que", tratando como se isso fosse algo que lhe torne melhor ou superior em relação a outras pessoas.
Fico com a sensação de estar em lugar errado - Minha educação, aquela que vem de berço, dada por meus pais, tem esse conceito: "Quero, Posso e Não Devo - Nem tudo que eu quero eu posso, nem tudo que eu posso eu devo e tem também, o que eu não devo eu quero, mas não posso - pronto é simples" (palavras de Mario Sérgio Cortella).
Parem que eu quero descer, estou em meios aos mornos, com pessoas de pensamentos pífios, retrógrados, que no horizonte só conseguem enxergar o próprio umbigo. Sem nenhuma perspectiva de que algo irá mudar. Fica aqui meu desabafo. Que Deus tenha piedade de nós.