| Facebook do Zoo Bauru/Reprodução |
| Biólogo Gerson Rodrigues do Nascimento (o Carioca), 51 anos |
| Quioshi Goto/JC Imagens |
| Em dezembro de 2015, Gérson participou de reportagem do JC sobre curso a policiais ambientais |
| Polícia Militar/Divulgação |
| Garrucha calibre 22 utilizada no crime foi apreendida pela PM |
O biólogo do Zoológico de Bauru Gérson Rodrigues do Nascimento, 51 anos, conhecido como Carioca, foi assassinado com um tiro no peito ao sair em defesa de amigos que estariam sendo ofendidos pelo autor do crime, segundo relato de testemunhas à Polícia Civil. O aposentado Osvaldo Lopes, 64 anos, que está preso, disse que queria apenas "dar um susto na vítima". Como última homenagem, amigos de Carioca, que era bastante querido, acompanharam o corpo dele em cortejo .
Conforme divulgado pelo JCNET, o homicídio ocorreu no sábado (22), por volta das 19h, em uma mercearia localizada na alameda das Andorinhas, no Vale do Igapó, bairro onde o autor e a vítima moravam. Segundo boletim de ocorrência (BO), o biólogo conversava com dois amigos em frente ao estabelecimento quando o aposentado, que estava em uma das mesas, passou a ofender em voz alta dois funcionários do zoológico.
De acordo com testemunhas, Carioca se incomodou com os xingamentos e saiu em defesa dos colegas, pedindo para que o homem parasse de ofendê-los. Atendendo à recomendação dos amigos, na sequência, o biólogo passou a ignorar Lopes, que levantou-se da mesa e, antes de pagar a conta e ir embora, o teria ameaçado dizendo que ele "não deveria ter tomado as dores de seus amigos" e que "iria pagar por isso".
VOLTOU ARMADO
Ainda segundo o BO, cerca de cinco minutos depois, o aposentado retornou ao local, sacou uma garrucha calibre 22, encostou a arma no peito da vítima e puxou o gatilho. Na sequência, ele teria tentado efetuar um segundo disparo, sem sucesso.
O autor do crime foi imobilizado e desarmado por populares e quebrou uma garrafa para ameaçar as pessoas que tentavam detê-lo. Revoltados, alguns tentaram linchá-lo.
Carioca foi socorrido pelo dono da mercearia até a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225) e, de lá, acabou levado por unidade de resgate da concessionária Centrovias até o Pronto-Socorro Central (PSC), onde já chegou morto.
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'Homem que é homem resolve assim'
Antes de disparar o tiro fatal que interrompeu de forma trágica e precoce a vida do biólogo Gérson Rodrigues do Nascimento, o aposentado Osvaldo Lopes encostou a arma em seu peito e, segundo testemunhas, disse: "Não falei que você iria pagar pelo que havia feito? Homem que é homem resolve as coisas assim". Carioca ainda pediu para que o acusado não fizesse nenhuma besteira, mas teve como resposta o gatilho puxado. Testemunhas só perceberam que ele havia sido atingido quando ouviram o "click" do segundo disparo, que falhou.
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Já Lopes foi socorrido com escoriações e fraturas em três costelas e, após ser medicado, foi autuado em flagrante pelo delegado Roberto Cabral Medeiros por homicídio qualificado (motivo torpe e fútil).
O aposentado alegou que só queria dar um susto na vítima e que não tinha a intenção de matá-la. O delegado requisitou a realização de perícia no local e coleta de material residuográfico das mãos do autor e representou pela conversão do flagrante em prisão preventiva. Além da garrucha, foram apreendidos 16 cartuchos intactos de calibre 22 e um deflagrado.
Cortejo do corpo de Carioca reuniu cerca de 100 veículos
Como forma de prestar uma última homenagem ao biólogo Gérson Rodrigues do Nascimento, dezenas de amigos e familiares acompanharam na tarde deste domingo (23) a saída do corpo dele do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru e seguiram em cortejo até Pederneiras.
Antes, o grupo, dividido em cerca de 100 veículos, passou pelo Zoo de Bauru, onde o biólogo trabalhava há 17 anos, e pelo Vale do Igapó, onde ele morava sozinho. De Pederneiras, o corpo seguiu até o Rio de Janeiro, onde moram o pai e dois irmãos do biólogo.
O enterro dele está previsto para terça-feira (25), em horário a ser definido. Tatiane do Prado Correa Brandão, amiga de Carioca, lamentou a morte trágica dele. "Ele era uma pessoa extrovertida, animada, que estava sempre de bem com a vida", define.
"Ele era amigo de todo mundo, uma pessoa muito querida. Onde ele chegava, era só alegria". Ela conta que os funcionários do Zoo ficaram em frente ao local para acompanhar a passagem do cortejo. "Tinha uma bandeira preta de luto e a verde do zoológico lá na frente", diz.
O diretor do Zoológico, Luiz Pires, não conseguir conter a emoção ao falar sobre o amigo. "Por 12 anos, ele foi o único biólogo do zoológico. Durante muito tempo, ele foi o responsável pelo setor de répteis e, atualmente, ele atuava na área de manejo de animais", revela.
"Foi um choque. Está todo mundo transtornado. É um reflexo da banalização da vida que a gente vive hoje. Foi uma conversa boba numa mercearia no Vale do Igapó, onde ele morava, com outro morador de lá, e o autor, alcoolizado, saiu, voltou com uma arma e deu um tiro nele".
Já Andrea Migro Cardia Bortoloti, 47 anos, sentia um misto de tristeza e inconformismo na noite de ontem. "O Vale do Igapó está triste. Nunca vi algo assim", resumiu, sobre o bairro que ela vive há 17 anos. "A homenagem que fizeram para o Gerson foi a coisa mais triste e bonita que já vi na minha vida. Sempre que aparecia um bicho, a gente chamava ele. Inclusive, no dia que ele morreu, vi um guati morto e mandei uma mensagem para ele. É tudo muito triste", lamenta.