| Aceituno Jr. |
| Telma Gobbi afirma que sem o aumento efetivo do número de leitos, as ações são inócuas |
A falta de leitos hospitalares, incluindo para tratamento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), foi um dos assuntos mais abordado pelos vereadores na tribuna da Câmara Municipal, durante as sessões ordinária e extraordinária dessa segunda-feira (24). A liminar obtida pelo município que obriga a Famesp a receber os pacientes que aguardam na rede de urgência e emergência de Bauru - Pronto -Socorro Central e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) - foi apontada como necessária, porém, ineficaz do ponto de vista estrutural do sistema de saúde na região.
A vereadora Telma Gobbi (SD), que também é médica e preside a Comissão de Saúde do Legislativo, apontou a necessidade imediata de criação de novos leitos hospitalares, uma vez que os hospitais de Base e Estadual atendem não apenas pacientes de Bauru, mas de toda a região. "Entendemos a decisão judicial obrigando a internação de pacientes, porém se não houver mais leitos, isso não vai ser resolvido. A greve (de funcionários da Famesp) é um agravante, mas o problema não está restrito a isso, a espera por vagas já existe há muito tempo, independente de greve", destacou a parlamentar, em entrevista à imprensa.
Telma pede que o Estado propicie a abertura de novos leitos. "Nos últimos anos, Bauru perdeu leitos. Tivemos também o fechamento do Hospital Manoel de Abreu para reforma, porém até agora nada foi feito. Não estamos eximindo o município de responsabilidade, mas os leitos hospitalares são do Estado. Algumas alternativas são possíveis, como a utilização do próprio Manoel de Abreu, e também do Centrinho, o prédio está parado há anos e poderia estar servindo a população. Outra possibilidade é o Instituto Lauro de Souza Lima, que tem residência na área de dermatologia, mas que também poderia atender com leitos de clínica geral", enfatizou a vereadora.
'Vergonha'
O vereador Carlão do Gás (PMDB) classificou como "vergonhosa" a espera por vaga em hospitais e também por cirurgias eletivas. "Mais de 500 cirurgias foram canceladas nos últimos dias. E as pessoas estão sempre esperando. Conheço um senhor que aguarda há três anos por uma cirurgia no joelho, com todas essas operações canceladas, certamente a demora será ainda maior. Do jeito que está indo, muita gente não vai ser operada, vai ter atendimento na necrópsia, e não em vida. É lamentável o que acontece", discursou, na tribuna da Câmara.
Markinho Souza (PP) e Natalino da Pousada (PV) também comentaram o assunto. "Tem gente esperando há mais de 10 dias", citou o pepista. "A questão das vagas em hospitais é um problema antigo e precisa ser solucionado", argumentou o vereador do PV. Ontem à noite, 31 pacientes aguardavam por vaga em hospitais.
Reajuste
A Câmara aprovou nessa segunda-feira (24), em dois turnos, o aumento de 4,76% no salário dos servidores do Legislativo, a título de reposição inflacionária. Também foi reajustado em 8,8% o vale-compra dos funcionários da Casa. Os proventos dos vereadores não foram alterados.
Outro projeto aprovado, de autoria do vereador Markinho Souza (PP), prevê que a prefeitura envie mensalmente à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara a relação de terrenos privados limpos pela municipalidade. Manoel Losila (PDT) acrescentou emenda ao texto, para que a relação tenha mais informações, como o valor de eventuais multas.
Outros projetos aprovados dizem respeito a repasse de verba para entidades, totalizando R$ 1,3 milhão, e uma suplementação de recursos na Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), na ordem de R$ 439 mil. Também foram aprovadas duas Moções, uma de Apelo à Artesp para que os caminhões de lixo de Bauru fiquem isentos de pedágio na Rodovia Bauru-Ipaussú (pois precisam ir diariamente ao aterro sanitário privado de Piratininga), e outra de Aplauso à Livraria Jalovi pelos 50 anos da empresa.
Vida útil do aterro sanitário
Durante a sessão dessa segunda (24), o vereador Manoel Losila (PDT) destacou a visita da Comissão de Obras da Câmara ao aterro sanitário, onde foi constatado que duas das três lagoas de chorume estão secas. O parlamentar reiterou que seria importante a prefeitura avaliar junto à Cesteb a possibilidade de voltar a usar o antigo aterro sanitário, lacrado desde abril do ano passado.
Losila considera que o local pode ainda receber resíduos, o que implicaria em redução de custos com a destinação do lixo, atualmente levado para o aterro privado da CGR Guatapará/Estre Ambiental, em Piratininga. São 300 toneladas por dia. Markinho Souza (PP) lembrou que há dois anos o aterro bauruense estava com o solo instável e gelatinoso, quadro que pode ter mudado bastante neste período. O pepista cita também que a cota 555 não foi atingida, outro fator favorável na argumentação pela retomada.
Aeroclube: prefeito faz reunião
Uma reunião na manhã dessa segunda (24) entre o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), representantes da Emdurb e do Aeroclube, no Palácio das Cerejeiras, terminou sem acordo. No último dia 8, a Emdurb publicou denúncia do Termo de Acordo com o Aeroclube, e desde então o caso vem se arrastando.
A reportagem apurou que o Aeroclube cogita entrar na Justiça, na tentativa de conseguir uma liminar favorável. A entidade alega que o imbróglio pode inviabilizar o curso de formação de pilotos. Já o município segue com a intenção de desfazer o acordo firmado na gestão passada, alegando irregularidades na assinatura do contrato e nas receitas provenientes de cessão de espaços e de outdoor.
A Prefeitura de Bauru diz que pretende firmar um novo acordo, desde que "dentro da legalidade". Uma das possibilidades é abrir uma licitação para exploração da área, e o Aeroclube poderia concorrer, e caso vença a disputa assumiria o local, que também possui demanda judicial questionando a posse da área - a prefeitura afirma que o terreno é municipal, e, portanto, não caberia a alegação de possível usucapião por parte da entidade.
Outra possibilidade aventada é que o Aeroclube faça diretamente com a União um convênio para utilização da área, como era até o início da década, eliminando o município como intermediário. Neste caso, o problema recairia novamente na alegação da prefeitura de que é proprietária da área e portanto teria a jurisdição para executar esse tipo de acordo, para apenas então conceder a exploração a terceiros - no caso, o próprio Aeroclube.