09 de julho de 2026
Polícia

Com mais um homicídio, 2017 tem recorde de casos em uma década

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Em cerca de uma semana, Bauru registrou quatro homicídios, ou seja, uma média de um a cada dois dias. O número sinaliza uma realidade já alertada pelo JC: 2017 começou com a explosão das mortes violentas. De janeiro até essa terça-feira (25), quando um homem foi morto em uma casa abandonada no Centro, foram 20 assassinatos. Os números consideram homicídios dolosos e latrocínios, conforme levantamento extraoficial feito pelo JC. 

Este é o maior volume de assassinatos registrados na cidade desde 2007, quando, no mesmo período, porém considerando resultado do mês de abril todo, um total de quatro pessoas morreram. Embora as estatísticas da última década indiquem que não há uma tendência de aumento, o volume deste ano assusta por estar superior à média.

MOTIVO FÚTIL

Diferentemente da realidade observada entre janeiro e fevereiro, os crimes cometidos entre março e abril, conforme apontam o delegado Seccional Ricardo Martines e o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, comandante da PM em Bauru, teriam como característica terem sido praticados, geralmente, por motivo fútil, após brigas e envolvendo armas brancas, e com uso de entorpecentes ou álcool.

"São crimes de difícil prevenção. É algo que vai além da segurança pública. São problemas de saúde, questões sociais e de economia e educação que terminam na delegacia", afirma Martines. "É diferente de janeiro, quando registramos vários crimes envolvendo acerto de contas e o tráfico. Agimos com as investigações e, rapidamente, esses tipos de morte baixaram", completa o delegado.

O índice da criminalidade referente a março foi publicado, ontem, pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). Baseado nesta estatística oficial, Martines não considera alto o índice de mortes registrado no primeiro trimestre na cidade. "Em fevereiro e março o número de homicídios baixou e nós cumprimos a meta estipulada para a Seccional. A tolerância é baseada em uma taxa de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes da OMS (Organização Mundial de Saúde)", completa o delegado.

Intervenções policiais

O levantamento do primeiro quadrimestre de 2017 não considerou outras duas ocorrências que terminaram com mortes em intervenções da Polícia Militar em roubos e confrontos, o que elevaria o total para 22. Isso porque o número em questão não é assim contabilizado pela Secretaria de Segurança Pública, conforme afirma a Delegacia Seccional de Bauru.

Os dois casos seguem sob inquérito Militar e Civil instaurados para apurar a conduta dos agentes. "O Comando da PM está atento a isso. Esse tipo de ocorrência cresce na medida em que aumenta a resistência e a ousadia dos bandidos, que estão bem armados. O policial está cada vez mais exposto", observa Kitazume.

ABORDAGENS

Comandante da PM, Kitazume reforça que há dificuldade da PM na prevenção de crimes como os que tem sido registrados nas últimas semanas.

"A maioria envolve briga. Temos mantido nossa fiscalização em bares e festas clandestinas com ajuda do poder público, mas a prevenção é complicada", pontua.

Para tentar coibir crimes envolvendo armas brancas, ele diz que a PM tem feito abordagens, a qualquer hora do dia, no intuito de desarmar pessoas que andam com faca pelas ruas. "Mas não temos como contabilizar isso porque a faca é considerada um objeto e não uma arma na estatística", detalha o tenente-coronel.

Sobre o crime ocorrido ontem, o comandante da PM aponta que a corporação já havia denunciado a situação do imóvel à prefeitura e que o local se tornou alvo de patrulhamento há algum tempo por conta do problema.

Briga em casa abandonada termina em morte no Centro

Um homem de 29 anos foi morto, após briga, no início da madrugada dessa terça-feira (25), em um imóvel abandonado na quadra 10 da rua Quinze de Novembro, no Centro de Bauru. Cleiton de Castro foi morto com uma facada no tórax. Claudio Marco Neumann Moreira, de 32 anos, foi preso acusado pelo crime.

O fato teria ocorrido durante uma briga entre eles e outros dois homens não identificados. A vítima não portava documentos e foi reconhecida por familiares apenas no final da tarde de ontem, no Instituto Médico Legal (IML). Aos policiais, o acusado disse ter atingido Cleiton tentando se defender. Foram apreendidas no local marreta e faca usadas no crime. Polícia Civil apura.