| Éder Azevedo |
| Imagens de arquivo do Centro Cultural e Chico Telles |
Não tem como evitar a comparação com o Cine Paradiso, filme italiano de 1988 escrito e dirigido por Giuseppe Tornatore que retrata o apogeu e a decadência de uma sala de cinema. A "saga" de Francisco Augusto Prado Telles, o Chico Telles, para reformar as instalações do Centro Cultural "Nilson Prado Telles", localizado no Centro de Dois Córregos (73 quilômetros de Bauru) virou o documentário "Cine São Paulo" e concorre na 22ª edição do Festival Internacional de Documentários É tudo verdade na categoria "O Estado das Coisas".
A premieré mundial do filme, dirigido por Martensen e Felipe Tomazelli, ocorreu domingo, na capital paulista no cinema da Reserva Cultural. Haverá outra exibição na próxima sexta-feira (28), às 20h, no Centro Cultural São Paulo, na rua Vergueiro, nº 1.000.
Entusiasmado com o documentário, Chico Telles promete estar presente na segunda exibição. Em fevereiro de 2013, o caderno Regional do JC contou a história do cinema de Dois Córregos conforme matéria assinada por Ricardo Santana.
Em maio de 2014, o cinema foi interditado pela Justiça por falta de alvará do Corpo de Bombeiros. Daí começa uma luta para reformar o prédio.
Chico Telles chegou a vender propriedade e com o dinheiro levantado iniciar a recuperação do prédio. Teve que trocar o forro de madeira por PVC, portas de saída de emergência com barras anti-pânico, para-raios, novas instalações elétricas, verniz anti-chama, corrimão, extintores, recuperação do telhado, portas banheiros, novo projetor de 35 mm etc.
Quando o JC esteve no Centro Cultural, as instalações ainda eram antigas. Como dono da sala, o próprio Chico Telles era projecionista. O cinema pertenceu ao pai que adquiriu as instalações em 1940.
Na sinopse do documentário é retratada que a sala, que já teve diversos nomes, mortes e ressurreições, é o símbolo vivo da passagem do projetor a carvão ao digital, da resistência diante da TV e do videocassete. O próprio Chico Telles conta que viu de perto toda essa evolução e resistiu bravamente para manter aberta a sala. Hoje o prédio é alugado pela prefeitura e leva o nome de Centro Cultural "Nilson Prado Telles", mantendo uma programação de filmes, principalmente do Ponto MIS (Museu da Imagem do Som) ligado à Secretaria Estadual de Cultura.
Além das barreiras
Chico Telles contou ao JC que enfrentou tantas dificuldades como convencer a mulher de que valia a pena fazer o investimento no prédio. As filmagens do documentário foram feitas em Dois Córregos no período de de janeiro a agosto de 2015. O Centro Cultural foi reformado e ganhou novos equipamentos como projetor de 35 mm e projetor digital não profissional. "É gratificante saber que o filme foi um sucesso no último domingo. Aplaudiram de pé", contou Chico Telles. Na avaliação do crítico da Folha de S.Paulo Cássio Starling Carlos o documentário de 78 minutos é muito bom.