| Antonio Cruz/Agência Brasil/Fotos Públicas |
| Oposição realizou protestos durante a votação presidida por Rodrigo Maia |
Com exceção do DEM, em todas as bancadas da base aliada na Câmara dos Deputados foram registradas traições ao governo durante a votação da reforma trabalhista, na noite dessa quarta-feira (26). O PP - partido do líder do governo, Aguinaldo Ribeiro (PB) - teve o maior número de votos contra o projeto - nove. O PMDB, partido do presidente Michel Temer, teve sete votos contrários à reforma.
Mesmo com a determinação da cúpula do partido para votar contra a proposta, 14 dos 30 deputados do PSB que votaram nesta noite se mantiveram fiéis ao governo. Dezesseis parlamentares seguiram a ordem do partido. A líder da bancada, Tereza Cristina (MS) orientou voto contra durante a apreciação do texto-base, mas votou a favor do projeto.
No PMDB, os deputados Celso Pansera (RJ), José Fogaça (RS) e Simone Morgado (PA) figuram na lista dos que votaram contra. O PR também teve sete dissidentes, incluindo Tiririca (SP). No Solidariedade, que orientou voto contra, foram oito votos contra o governo, entre eles os do líder Áureo (RJ) e do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (SP).
O PSD e o PTN registraram cinco traições. O PRB e o PTB, quatro - contando o voto do dissidente Arnaldo Faria de Sá (SP). No PPS, foram três - incluindo o líder da bancada, Arnaldo Jordy (PA). PSC e PV registraram dois votos contra cada. No PSDB, apenas Geovânia de Sá (SC) se posicionou contra o governo.
A oposição - PCdoB, PT, PDT, PMB, PSOL e Rede - votou fechada contra o texto-base. Partidos menores, como PROS, PEN, PHS, PSL e PTdoB tiveram votos contra e a favor do projeto. Considerado pelo governo como teste para a votação da reforma da Previdência, o texto-base da reforma trabalhista foi aprovado por 296 votos a favor e 177 contrários. O objetivo era votar a proposta antes da greve-geral marcada para sexta-feira, 28.
Mesmo necessitando apenas de maioria simples (metade dos presentes ao plenário mais um), a base aliada do governo trabalhou durante todo o dia para garantir, na votação da reforma trabalhista, um número de votos próximo dos 308 que serão exigidos para aprovar a reforma da Previdência. O objetivo era dar um sinal de força na concretização das reformas, mas faltaram 12 votos.
A reforma trabalhista começou a ser discutida por volta das 12h30 no plenário da Câmara, em meio a artifícios da oposição para obstruir a sessão e protestos. O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) convidou transexuais para uma "intervenção político-artística".
Para se certificar da vitória, o governo exonerou os ministros Bruno Araújo (Cidades), Mendonça Filho (Educação) e Fernando Bezerra Coelho (Minas e Energia) para que eles reassumissem o mandato na Câmara e votassem no lugar de suplentes que davam sinais de que votariam contra o Palácio do Planalto.
O PCdoB protocolou um mandado de Segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão da tramitação do projeto sob a alegação de que a proposta não poderia ser votada enquanto três medidas provisórias trancam a pauta. No final da noite, o ministro Dias Toffoli negou a solicitação.
No debate em plenário, a oposição chamou o projeto de "desgraça" e disse que a versão em votação na Câmara era pior do que o texto original. "Dizer que retoma o emprego com isso é uma falácia", discursou o líder da minoria, deputado José Guimarães (PT-CE).
'Vamos em frente', diz Temer sobre aprovação de reforma trabalhista
O governo ficou animado com a aprovação da reforma trabalhista na noite desta quarta-feira (26), embora o placar mostre 12 votos a menos do que os 308 necessários para que as mudanças na Previdência passem pela Câmara. "Vamos em frente e agora com mais entusiasmo", disse o presidente Michel Temer, logo que a reforma trabalhista recebeu sinal verde.
Temer assistiu aos trechos finais da sessão na Câmara em seu gabinete, no Palácio do Planalto. Estava acompanhado dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo), além do porta-voz Alexandre Parola e do secretário de Comunicação, Márcio de Freitas.
"Consideramos o resultado de 296 votos muito bom, porque só faltam 12 para alcançar os 308. A disposição foi revigorada", afirmou Moreira Franco. "Foi um jogo de semifinal e agora vamos nos preparar para a final, que é a reforma da Previdência. Não precisávamos dos 308 votos hoje. Precisávamos de maioria simples e chegamos quase no quórum qualificado", completou o deputado federal Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR), que até recentemente era assessor especial de Temer.
Depois da votação, ministros e líderes de partidos aliados telefonaram para o presidente, comemorando o resultado. Um deles foi o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM). Temer também conversou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Na avaliação do Palácio do Planalto, a aprovação da reforma trabalhista indicou que a base de sustentação do governo no Congresso - até agora muito dividida e exibindo traições - começa a se reagrupar.
Até mesmo a bancada do PSB, que havia fechado questão contra as reformas de Temer, não seguiu completamente a orientação partidária. Quatorze deputados do PSB aprovaram a reforma trabalhista e 16 ficaram contra. "No dia da votação da Previdência, teremos todos os votos necessários", afirmou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).