| Bruno Freitas |
| Concentração dos sindicalistas e motoristas nesta madrugada de sexta-feira |
Os motoristas dos circulares de Bauru decidiram, em assembleias realizadas na madrugada desta sexta-feira (28), aderir à greve geral marcada, em nível nacional, para hoje. A data foi batizada de Dia Nacional de Luta. Foi unânime a decisão tomada pelos trabalhadores das empresas Grande Bauru e Cidade Sem Limites, em frente às garagens das duas empresas. Portanto, não haverá transporte coletivo nas ruas hoje em Bauru.
Para um dos representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Francisco Wagner Monteiro, presidente do Sinergia CUT e do PT Bauru, a cidade deu um exemplo hoje. “O cidadão precisa entender o motivo deste movimento de paralisação. O governo está destinando recursos que eram para a classe trabalhadora para os empresários recuperarem a lucratividade”, frisa.
Na assembleia, os sindicalistas protestaram contra o governo Michel Temer e as reformas da previdência. Durante todo o dia, o site do JCNET e o facebook do Jornal da Cidade de Bauru vão acompanhar a paralisação em Bauru.
GREVE GERAL
| Bruno Freitas |
| Membros da CUT protestaram contra governo Temer e as reformas da Previdência |
Organizada por centrais sindicais, com a participação de sindicatos e entidades, como a OAB, a greve geral desta sexta, Dia Nacional de Lutas, contará, ainda, com passeatas pacíficas por rodovias que cortam a cidade e, também, pelas principais avenidas de Bauru.
Haverá, a partir das 9h, um ato em frente à Câmara Municipal, onde são esperadas, no mínimo, 3 mil pessoas, segundo a estimativa do organizadores. Durante toda sexta, os sindicalistas promoverão campanhas com objetivo de mobilizar os comerciantes, empresários e bancários. Trabalhadores das indústrias também devem cruzar os braços.
Vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bauru e Região (STIA), Cristiano Candido de Jesus diz que os trabalhadores das empresas alimentícias também irão aderir à paralisação geral. "Eles foram comunicados sobre a mobilização", frisa.
Coordenador da Central Única dos Trabalhadores (CUT) - regional Bauru -, Itamar Calado destaca que o Dia Nacional de Lutas também é contra a terceirização das atividades fim. "Reunimos 35 entidades de classe de Bauru e região para atender demanda do Estado", diz.
Somente o Movimento Social de Luta dos Trabalhadores (MSLT) deve reunir 2 mil integrantes nos atos, em Bauru, nesta sexta, estima o diretor da entidade, Márcio Oliveira. "Também entraremos nessa luta", banca. De forma pacífica, os manifestantes participarão de passeatas pelas rodovias da cidade e, também, pelas vias urbanas, incluindo as avenidas Nações Unidas e Rodrigues Alves, com concentração na Câmara, a partir das 9h.
TRANSPORTE PÚBLICO
Por meio do aplicativo Ônibus +, que pode ser baixado pelo celular ou acessado pelo computador, o usuário do transporte público de Bauru pode saber quais coletivos estarão circulando e por onde.
Informações sobre o transporte público urbano de Bauru também podem ser obtidas na Central de Apoio ao Usuário (CAU) da Transurb, que funciona das 6h às 20h30 e atende pelo número (14) 4009-1740.
| Bruno Freitas |
| Circulares não deixaram a garagem da Grande Bauru e Cidade Sem Limites nesta sexrta |
SEM CORTE DE PONTO
Em nota, a prefeitura comunicou que funcionará, normalmente, nesta sexta, "respeitando a greve, que é um direito constitucional, preservando os serviços essenciais e o correto atendimento à população". O Poder Executivo destacou que não será descontado o ponto dos servidores que aderirem ao movimento, "mas o dia deverá ser reposto, em concordância com a chefia imediata de cada setor, conforme portaria expedida pela Secretaria Municipal da Administração".
Ao JC, o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), que representa cerca de 8 mil trabalhadores do município - de forma direta e indireta -, já tinha confirmado a sua participação no ato e que estava fazendo campanhas para que todos os funcionários paralisassem, exceto nas áreas de urgência e emergência.
No setor da Educação, até quinta-feira à tarde, mais de 20 escolas estaduais confirmaram a adesão integral ou parcial. "Os professores serão prejudicados com as reformas, perdendo a aposentadoria especial", critica a diretora estadual da Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Idenilde Almeida Conceição.
O roteiro dos atos desta sexta foi definido durante uma reunião, ontem, na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e da Fabricação de Álcool, Etanol, Bioetanol e Biocombustível de Bauru e Região (Sindquimbru), que também aderiu e até realizou panfletagem em prol à mobilização.
"Fizemos o trabalho nas maiores indústrias de Bauru. Hoje, a maioria dos trabalhadores deve cruzar os braços. Eles estão entendendo a gravidade das reformas", pontua Vanderlei Aparecido de Oliveira, um dos representantes do sindicato.
Outra entidade que também integrará o ato é a Associação dos Juízes do Trabalho da 15a Região (Amatra 15). "A associação participará de ato público em frente ao Fórum Trabalhista, às 10h30, sendo representada por seu diretor regional da Circunscrição de Bauru, juiz do trabalho Maurício de Almeida, titular da 2.ª Vara do Trabalho de Jaú. Os servidores da Justiça do Trabalho, representados pelo Sindicato dos Servidores de Justiça do Trabalho da 15.ª Região (Sindiquinze), também participarão", comenta a Amatra 15, em nota.
DIA NACIONAL DE LUTAS
O Dia Nacional de Lutas é um movimento nacional intersindical, com a participação de sindicatos filiados à Força Sindical, CUT, Conlutas, Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), além do apoio dos movimentos sociais MSL e MST.
De Bauru, participam os sindicatos dos Químicos, Ferroviários, Comerciários, Gráficos, Alimentação, Hoteleiros, Construção Civil, dos Aposentados, Servidores Municipais, Cozinhas Industriais, Condutores, Bancários, Sintunesp, Apeoesp, Jornalistas, Sinfuspesp, Afuse, Sindiluz e Sinergia.
Servidores dos Correios deflagram greve em Bauru
Cinthia Milanez
Ontem, os funcionários dos Correios decidiram paralisar por tempo indeterminado e a greve local, portanto, seguirá o movimento nacional. Em nota, a assessoria de comunicação do Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de Bauru e Região (Sindectéb) prevê que a paralisação atinja aproximadamente 80% dos trabalhadores de todo o País.
Pela manhã, houve uma manifestação em frente à Diretoria Regional dos Correios, na região central de Bauru. Hoje, a categoria pretende aderir aos atos da greve geral. Além de se posicionar contra as reformas da Previdência e Trabalhista, a entidade levanta uma bandeira própria.
Entre as reivindicações, os trabalhadores lutam contra a privatização da empresa, as indicações políticas, a suspensão das férias, o fechamento das agências e a entrega alternada.
AGÊNCIAS ABERTAS
Já os Correios reforçam que funcionam, normalmente, em todos os Estados. Logo, a entidade garante que a paralisação parcial dos trabalhadores não afetará o atendimento à população e serviços, como Sedex e Banco Postal, estão disponíveis. Porém, aqueles que têm hora marcada - Sedex 10, Sedex 12 e Sedex Hoje - estão suspensos.
Segundo a empresa, um levantamento parcial, realizado na manhã de ontem, mostrou que 86,31% do efetivo total dos Correios, no País, está presente e trabalhando - o número é apurado por meio de sistema eletrônico de presença. No Interior do Estado de São Paulo, 83% do efetivo cumpre a jornada normal de trabalho.
Ainda segundo os Correios, o movimento concentra-se, principalmente, na área operacional. Mesmo assim, em algumas unidades, muitos empregados estariam sendo impedidos, pelos sindicatos, de entrar em seus locais de trabalho. Os Correios alegam que já estão adotando as medidas necessárias - inclusive, jurídicas - para resolver casos do tipo.
Apesar de a greve ser um direito do trabalhador, a empresa esclarece que está cumprindo todas as cláusulas do Acordo Coletivo vigente e considera a paralisação, "neste momento delicado pelo qual passam os Correios, um ato de irresponsabilidade, uma vez que está e sempre esteve aberta ao diálogo com as representações dos trabalhadores".