| João Rosan/JC Imagens |
| Cledson do Nascimento, delegado titular da DIG: "O mais importante foi devolver essa criança" |
A Polícia Civil de Bauru, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), conseguiu recuperar, ontem, um menino de 3 anos e meio que havia sido subtraído do pai há 14 dias. Foi a própria mãe biológica da criança que a pegou em Bauru e a levou para Presidente Prudente, a mais de 250 quilômetros de Bauru. Depois, a mulher de 40 anos começou a exigir dinheiro do genitor, que possui a guarda legal do garoto. Os nomes de todos os envolvidos foram preservadas em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O titular da DIG, Cledson do Nascimento, conta que o caso teve início no dia 13 deste mês. "Esta criança foi criada pela mãe, que trabalha como acompanhante, até os 2 anos de idade. Depois, quando foi feito o DNA, o pai, um empresário de 31 anos, solicitou e conquistou a guarda do garoto. No feriado de Páscoa, a mãe pegou a criança para passar o fim de semana com ela e não a devolveu", explica.
O menino era para ter retornado à casa do pai no dia 14, contudo, o homem começou a ligar para a mulher e ela não mais atendeu as ligações. Foi então que ele foi até a casa da acusada, localizada na Vila Cardia. "Ao chegar lá, o pai viu que ela tinha desaparecido. Levou tudo, inclusive o filho", narra o delegado.
Foi registrado, inicialmente, um boletim de ocorrência (BO) por desobediência e o caso seria investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Contudo, a situação ganhou ainda mais gravidade quando a mãe começou a pedir dinheiro para o pai da criança. "Ela começou entrar em contato pela Internet e pedir certas quantias. Dizia, inclusive, que poderia levar a criança para fora do Brasil. Foi aí que começamos a investigar e iniciamos nosso protocolo antissequestro", detalha Cledson do Nascimento.
RECUPERADA
A equipe policial passou a acompanhar as conversas e a tentar localizar a mãe e o garoto. "O problema é que, em nenhum momento, ela dava pistas de onde estavam".
Nos últimos dias, porém, o garoto adoeceu e a mãe acabou dando indícios de que eles estavam em Presidente Prudente. "Descobrimos o local onde ela estava escondida com a criança. Então, na manhã de hoje (ontem), com o apoio da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Presidente Prudente, fomos até a cidade e os encontramos", conta o delegado, complementando que a mãe estava na casa de um homem que ela diz ter conhecido pelo WhatsApp.
O pai foi comunicado e a criança, resgatada. Já a mulher irá responder em liberdade por extorsão e também pelo artigo 237 do ECA, que trata sobre "subtrair criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial", cuja pena é detenção de 2 a 6 anos de reclusão.
O sequestro não se configurou, uma vez que a criança tinha vínculos com a mãe, afeto por ela e não estava em situação de cativeiro. "Até porque, pelo princípio da especialidade do Direito Penal, entendi que tinha um delito no ECA. O pai ia diariamente na delegacia durante todo esse período de quase 15 dias. O mais importante foi devolver essa criança", conclui o titular da DIG, Cledson do Nascimento.