| Fotos: PM, Douglas Reis e Bruno Freitas |
| Imagem aérea feita pelo helicóptero Águia, da PM, mostra ato em frente à Câmara Municipal |
| Manifestantes realizaram ato em frente à Câmara |
| Circulares não saíram das garagens, ontem |
| Manifestantes tomaram a Nações Unidas |
Bauru acordou diferente ontem. Milhares de pessoas tomaram as principais avenidas da cidade, interditaram um trecho da rodovia Marechal Rondon (SP-300) e fizeram protestos pelo Centro e, também, em frente à Câmara Municipal. O ato reuniu cerca de 10 mil manifestantes, segundo os organizadores. Já a PM fala em 4 mil.
As mobilizações desta sexta, Dia Nacional de Lutas, alteraram a rotina de boa parte dos bauruenses. Os motoristas de circulares decidiram, em assembleias realizadas durante a madrugada, aderir à greve geral contra as reformas da Previdência e Trabalhista. Cerca de 50 mil usuários do transporte coletivo foram afetados, estima a Emdurb.
Por isso, o Centro de Bauru ficou praticamente vazio nas primeiras horas da manhã. Os poucos trabalhadores que estavam nos pontos de coletivos aguardavam carona de colegas para chegar ao trabalho, conforme a reportagem apurou. O serviço seria normalizado às 23h50 desta sexta, quando começaria a linha noturna.
Servidores públicos municipais também participaram da mobilização. Segundo a prefeitura, 44 escolas de Ensino Infantil aderiram à paralisação e 19 mantiveram atendimento parcial. Outras cinco de Ensino Fundamental não funcionaram e 12 atenderam de forma parcial.
Em relação às escolas estaduais, a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação esclarece que, das mais de 5 mil unidades de ensino em todo o Estado, 49 aderiram ao movimento. Em Bauru, a diretora estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Suzi da Silva, afirma que 26 escolas fecharam as portas.
A coleta de lixo e demais serviços da Emdurb funcionaram normalmente. Já alguns serviços prioritários do DAE, como a reposição do asfalto e os reparos em redes de água e esgoto ficaram prejudicados com a paralisação de 29 funcionários (leia mais abaixo).
Segundo o Sindicado dos Bancários, cerca de 70% das 35 agências públicas de Bauru não atenderam por conta da paralisação. As privadas abriram as portas. Pelo Centro, algumas poucas lojas estavam fechadas. No entanto, outras categorias, como professores, trabalhadores das indústrias, alguns policiais civis e servidores da Justiça do Trabalho aderiram aos atos.
ATOS
Logo no início da manhã, após interditarem a Marechal Rondon - sentido Interior-Capital, altura do acesso à Nações Unidas -, os manifestantes, entre eles, membros da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento Social de Luta dos Trabalhadores (MSLT), seguiram pela Nações, passando pela Rodrigues Alves até a Câmara Municipal.
Durante a passeata, um grupo permaneceu reunido em frente à sede do Poder Legislativo, de onde algumas pessoas também saíram pela Rodrigues Alves. Os dois coletivos se encontraram entre as quadras 8 e 9 da avenida. O encontro foi um dos ápices do ato em número de participantes. O trânsito, entretanto, ficou complicado no trecho.
Com cartazes, nariz de palhaço, faixas e carros de som, os manifestantes marcharam pelas principais ruas do Centro, onde promoveram diversos atos para mobilizar os comerciantes e bancários.
Vestido inteiro de preto, o servidor público municipal José Vitor Fernandes Bertizoli, de 35 anos, era um dos milhares de participantes da paralisação. "A gente percebe uma grande união de forças, para lutar por um resultado final único: uma reforma, uma mudança. Porém, que a mudança seja discutida com a sociedade e não da forma como estão fazendo", opina. "É uma luta pela dignidade dos trabalhadores", complementa a técnica de enfermagem Cássia Celeste.
NA CÂMARA
Após os atos na região central da cidade, os manifestantes retornaram à Câmara, onde abriram o microfone do caminhão de som para discursos e críticas às reformas pautadas pelo governo federal. Por volta das 12h, o grupo encerrou as mobilizações. À tarde, ocorreram ações na Praça Rui Barbosa.
A PM informou que as manifestações transcorreram de forma pacífica, sem a necessidade de intervenção da corporação. Houve apenas um caso isolado de agressão. Conforme o JC apurou, um dos diretores do Sindicato dos Bancários tentou agredir uma jornalista do próprio sindicato, após divergências durante o trajeto.
Ao tentar acalmar os ânimos, um dos integrantes da Frente Anarquista e Libertária teria levado um soco no nariz. Ele acusou o sindicalista de agredi-lo. Uma das diretoras do sindicato, Priscila Rodrigues, disse que um boletim de ocorrência (BO) foi registrado e que a entidade tomará as providências cabíveis.
Serviços prejudicados
Em nota, o DAE informou que 29 funcionários aderiram à paralisação desta sexta, a maioria deles - 20 trabalhadores - da Divisão Técnica. Em consequência, alguns serviços, como reposição de asfalto, construção de calçadas e reparos em redes de água e esgoto ficaram prejudicados.
A Regional 12, por exemplo, que engloba bairros, como Jardim Petrópolis, Núcleo IX de Julho, Fortunato, Parque Roosevelt, entre outros, ficou praticamente parada por falta de funcionários, diz a autarquia, acrescentando que, em outros pontos, alguns serviços foram executados manualmente, porque não havia operadores de retroescavadeira.
A administração municipal decidiu não cortar o ponto dos funcionários que aderiram ao movimento, mas eles terão de repor o dia não trabalhado, em concordância com a sua chefia imediata.
Correios irão manter paralisação
Em greve desde anteontem, os funcionários dos Correios também participaram dos atos públicos. No final da tarde, promoveram uma assembleia que culminou na continuidade da paralisação. Na próxima terça-feira, haverá uma nova reunião.
Segundo a assessoria de comunicação do Sindectéb, que representa a categoria, a adesão chegou a 90% na região e a 80% em Bauru. O órgão afirma, ainda, que a agência do Distrito Industrial teve de fechar as portas.
Já a assessoria dos Correios diz que todas as agências estão funcionando normalmente, inclusive, a do Distrito.
Em nota, a empresa explica que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) deferiu, anteontem, uma liminar em favor dos Correios, determinando que os sindicatos mantivessem um efetivo mínimo de 80% em cada uma das unidades localizadas nas bases de atuação. A decisão também prevê multa diária de R$ 100 mil, em caso de descumprimento.
Ontem, o órgão levantou que 79,81% do efetivo dos Correios não aderiram à paralisação - percentual apurado por meio de sistema eletrônico de presença. Nesses locais, o movimento está concentrado, em sua maioria, na distribuição. Logo, tais serviços podem ficar comprometidos e existe a possibilidade de as entregas atrasarem. Ainda segundo os Correios, no Interior do Estado, 79% do efetivo cumpre jornada normal de trabalho.
EFEITOS À POPULAÇÃO
Algumas agências, no País, ficaram fechadas ou com funcionamento reduzido. No entanto, não há como garantir se os trabalhadores dessas unidades aderiram à paralisação ou se não conseguiram chegar aos seus locais de trabalho, em decorrência da greve geral. Para minimizar os impactos, os Correios afirmam ter iniciado Plano de Continuidade de Negócios, que inclui ações, como o deslocamento de empregados entre as unidades, o apoio de pessoal administrativo e horas extras.
Inclusive, durante o "feriadão", a empresa promoverá mutirões de entrega de objetos. Apenas os serviços com hora marcada, como o Sedex 10, Sedex 12 e Sedex Hoje, permanecem suspensos.