09 de julho de 2026
Esportes

Em Campinas, Ponte Preta e Corinthians começam a decidir o Estadual


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Denny Cesare/Agência Estado
Potker, que "flertou" com Corinthians no início da temporada, é a principal aposta da Ponte para chegar ao gol

Ponte Preta e Corinthians fazem uma final de Campeonato Paulista que parecia inimaginável no início do ano. O time da capital era visto como a quarta força do Estado, enquanto que a equipe do interior tinha o objetivo declarado de se firmar como a quinta força. Superando os prognósticos, as duas equipes fazem o primeiro jogo da decisão hoje, às 16h, no estádio Moisés Lucarelli, em Campinas (SP), em uma partida recheada de motivações históricas e confrontos individuais.

Os alvinegros se reencontram justamente após 40 anos da vitória do Corinthians por 1 a 0 sobre a Ponte Preta, gol de Basílio, que pôs fim a uma fila sem títulos que durava 23 anos. A lembrança daquele jogo é inevitável. Basílio, o herói corintiano há quatro décadas, acredita que o equilíbrio vai imperar no confronto deste ano. "Depois da chegada do (técnico Gilson) Kleina, a Ponte se entrosou e não podemos esquecer que eliminou Santos e Palmeiras", avisou o ex-meia.

A Ponte Preta evita as lembranças doloridas do vice-campeonato. Ao longo da semana, vários jogadores disseram, com algumas variações, que nem haviam nascido em 1977. Estratégia da diretoria e da comissão técnica para tirar o peso dos ombros dos jogadores. Eles ficam "apenas" com a responsabilidade de levar o time ao primeiro título em 117 anos de história.

Os atacantes William Pottker e Jô terão um duelo direto. O ponte-pretano, que quase foi para o Corinthians no início do ano, tem nove gols e divide a artilharia com Gilberto, do São Paulo. Mais uma bola na rede e ele se isola na liderança do quesito. No ano passado, já foi artilheiro do Campeonato Brasileiro.

Já o corintiano conseguiu uma marca impressionante, mas precisa se superar. Jô fez cinco gols em cinco clássicos (três contra o São Paulo, um contra Palmeiras e um diante do Santos), mas fez apenas dois contra os outros clubes. Deverá entrar em campo como se fosse mais um clássico.

A final desperta interesse especial em relação à postura táticas dos finalistas. Ambos chegaram à decisão com a mesma tática: o contra-ataque. O time do técnico Fábio Carille é mais organizado defensivamente, tanto que levou apenas dez gols em todo o campeonato. Por outro lado, Gilson Kleina conta com um trio de ataque veloz e eficiente formado por Lucca, Clayson e William Pottker. O pulo do gato é pressionar o rival, roubar a bola e esticar a bola para o "ataque mais rápido do Paulistão", como definiu Kleina.

A equipe de Campinas aposta todas as fichas no jogo desta tarde, a fim de abrir vantagem para a decisão em São Paulo. Foi desta forma, vencendo a primeira partida em casa, que o time chegou à final. Gilson Kleina afirma que o time aprendeu a sofrer na volta. "O primeiro jogo é essencial. Um 1 a 0 será goleada", disse Jadson.

Nos últimos seis jogos, foram apenas três gols sofridos, diante de adversários cascudos, como Santos e Palmeiras. Hoje, Gilson Kleina vai ter de mexer, pelo menos, em uma peça na defesa para substituir o titular Marllon, que está suspenso.

Fábio Carille terá força máxima. Único ponto de atenção do treinador e, principalmente, dos jogadores, é o fato de nove atletas estarem pendurados, entre eles oito titulares. São eles: Fagner, Guilherme Arana, Gabriel, Maycon, Rodriguinho, Jadson, Romero e Jô, além do reserva Léo Jabá.

CASA CHEIA

O palco da final estará lotado, com quase 18 mil torcedores. Faltando dois dias para a abertura das bilheterias, ponte-pretanos já estavam acampados à espera dos bilhetes. "Nós sabemos que cada bola que a gente dividir pode ser a bola do título. Não adianta apenas ficar no sentimento. Precisa ter organização. Mas acho que a equipe chega forte. Existe uma química forte com a torcida", disse Gilson Kleina.

Na Ponte Preta, Lucca joga pela redenção

 A final do Campeonato Paulista significa uma redenção pessoal para o atacante Lucca. Depois de passar de titular do técnico Tite a última opção ao longo de 2016 no Corinthians, ele se tornou uma das peças-chave do esquema da Ponte Preta.

Lucca foi titular com todos os técnicos que passaram pelo time (Felipe Moreira, João Brigatti e Gilson Kleina). Presente em 17 partidas, está entre os jogadores que mais atuaram na equipe. Além da constância, também tem sido importante taticamente.

Não foi fácil se adaptar ao esquema de Gilson Kleina, que exigia que o atacante recuasse para marcar quando o time perdesse a bola. Ele não entendia porque recuar tanto se era um atacante. "Resolvemos isso internamente, explicando para ele como queríamos e como jogaríamos a partir dali", disse o treinador após o empate por 3 a 3 diante do Santo André.

Do meio para a frente não foram necessários grandes ajustes. Lucca Borges de Brito se adaptou bem à vaga deixada por Felipe Azevedo no ataque. Logo na estreia, anotou o gol da vitória sobre a Ferroviária e ganhou confiança para ser protagonista. A parceira com William Pottker também está rendendo: juntos, eles marcaram 19 dos 25 gols da Ponte Preta na temporada.

O empréstimo não foi uma decisão isolada do clube. O técnico Fábio Carille afirmou que gostaria de continuar com o atacante elétrico, rápido e dinâmico. O jogador preferiu sair depois de ser preterido até por Rildo, que acabou se transferindo. Entre os clubes que mostraram interesse - Vitória, Botafogo e Ponte Preta -, preferiu o último.

O empréstimo de Lucca, assim como o do zagueiro Yago, foi definido quando os clubes acertaram a transferência de William Pottker. Depois que os dois reforços chegaram a Campinas, o negócio desandou, pois Pottker foi escalado na Copa do Brasil e a direção corintiana cancelou o negócio. O contrato de Lucca com o Corinthians vai até 2019.

Jadson é um dos alicerces de Fábio Carille

 Maior contratação da temporada, Jadson aparece como um dos principais candidatos a protagonismo da decisão. Em meio a tantas coincidências e homenagens, o meia pode escrever o seu nome na história do confronto entre Corinthians e Ponte Preta justamente no ano em que personalizaram nele as celebrações da conquista do Campeonato Paulista de 1977.

O ídolo da torcida corintiana usa a camisa 77 nas costas, número que representa muito na história do clube. "Quem fizer o gol, eu já fico feliz. Mas é claro que se o Jadson marcasse o gol do título seria ainda mais especial, pelas homenagens e pelo grande jogador que é", disse o ex-meia Basílio, autor do chute que garantiu o fim da fila de 23 anos sem títulos.

O meia Jadson tem 33 anos e não viveu nada do que está sendo falado sobre 1977, mas sabe da importância da data para o torcedor e também de sua relevância para o time atual. "Fico honrado pela oportunidade de vestir essa camisa e espero retribuir tudo isso com títulos", disse, em sua chegada.

Embora ainda não tenha jogado o mesmo futebol dos tempos em que comandou a equipe na conquista do Brasileiro de 2015, o meia tem sido um dos alicerces do técnico Fábio Carille e demonstrado uma superação física que chama a atenção.

Ele voltou do futebol chinês acima do peso, fez uma espécie de pré-temporada no meio do Estadual e mesmo sem estar 100% entrou no time e se encaixou como se fosse a peça que faltava. Com sua entrada, o Corinthians evoluiu tecnicamente e taticamente. No total, Jadson fez 13 jogos na temporada, marcou dois gols e três assistências.

Jadson e seus companheiros terão outra referência de 1977 na partida desta tarde. O Corinthians vai estrear diante da Ponte Preta o seu segundo uniforme, que tem a camisa preta, com listras brancas na vertical (antes era horizontal), muito parecido com o que os jogadores usaram na conquista há 40 anos.