| Arquivo pessoal |
| No dia a dia o profissional atua como cabeleireiro e barbeiro |
Com a naturalidade e a calma que lhe são peculiares, Pedro Paulo Tonin repetiu algumas vezes durante o bate-papo com a reportagem: "o bem faz bem". Não que ele queira justificar as muitas ações voluntárias as quais se dedica: a impressão é a de que deseja compartilhar a alegria que sente na realização delas.
Tanto, que se desdobra sem lamentar a agenda cheia. Pedro Paulo é formado em Letras, já trabalhou como fotógrafo e hoje é cabeleireiro e barbeiro; também coordena uma equipe do Grupo Irmã Sheila na visita a hospitais, cuida de um brechó beneficente e de uma banca de livros usados na feira de domingo.
Desde o início de 2017 preside a Associação Chico Xavier de divulgação da doutrina espírita e, pela primeira vez, é o coordenador geral da Feira do Livro Espírita, no Boulevard Shopping Nações.
Como concilia tantas atividades? "O espiritismo, como outras religiões, propõe que sejamos pessoas de bem. É um caminho que requer estudo, disciplina, dedicação do seu tempo. E não adianta esperar esse tempo chegar, o tempo é agora!".
Conheça melhor essa pessoa do bem.
JC - Como foi a transição por várias áreas profissionais?
Pedro Paulo - Sou formado em Letras pela USC, trabalhei 5 anos com o projeto Telecurso 2000 em comunidades carentes e empresas. Já cursava fotografia no Senac e comecei a fazer retratos e fotos de gestantes. Como ia na casa delas, percebi a necessidade de um retoque na maquiagem, uma escova, e fiz o curso de cabeleireiro para complementar o trabalho de fotógrafo. Eu me apaixonei pela profissão de barbeiro e há 15 anos tenho o salão Pedro Paulo Cabelo e Cia., na quadra 7 da rua Cussy Jr., no Centro da cidade, com três profissionais que são parceiras. A fotografia se tornou um hobby e me dedico mais ao trabalho voluntário ligado ao movimento espírita.
JC - O espiritismo sempre fez parte da sua vida?
Pedro Paulo - Na minha filosofia de vida, o bem faz bem. É o que aprendi com meus pais, que sempre fizeram trabalhos voluntários em Botucatu e me deram o exemplo. Minha família por parte de mãe é muito católica e apenas tive contato com o espiritismo quando mais jovem. Faz 16 anos que estou voltado ao estudo do espiritismo e ao servir, esse é nosso grande aprendizado na doutrina. É necessário compreender para depois realizar as tarefas. Creio que somos todos assim: tarefeiros de Cristo.
JC - De que ações voluntárias participa?
Pedro Paulo - Há seis anos faço parte do Grupo Irmã Sheila, de apoio a pacientes e seus familiares, apelidado de "Amarelinhos" por causa da cor do avental que usamos. O grupo desenvolve trabalhos em todos os hospitais de Bauru e em Piratininga. Coordeno o grupo de segunda-feira à noite, que atua no Hospital de Base. Temos há três anos a "Banca do Chico", que vende livros usados a partir de R$ 1, espíritas ou não, na feira livre aos domingos, na rua Gustavo Maciel. Mais do que vender é uma forma de passar informação e ir ao encontro do outro fora do centro espírita. E mais: há também o "Brechico", que vende roupas e móveis, além de doar em caso de incêndios ou alagamentos. E, por intermédio da Associação Chico Xavier, somos parceiros sociais do Iprespa (Instituto Profissional de Reabilitação Social 1º de Agosto) no projeto de apoio às famílias de crianças carentes atendidas com orientação pedagógica, teatro, etc.
JC - O que faz a associação?
Pedro Paulo - Além do social, nosso trabalho é voltado à divulgação da doutrina espírita através de feiras, palestras com temas doutrinários e comportamentais voltados à comunidade em geral, produção de material doutrinário para cursos e ensino à distância, além de atuar pelos meios de comunicação. Somos parceiros de um jornal, a Tribuna do Espiritismo, e temos um trabalho em rádio.
JC - Como concilia tantas atividades?
Pedro Paulo - Muita gente aguarda o tempo para fazer. Deveria ser o contrário: você se dar o tempo para fazer as coisas, administrar os próprios horários e ter disciplina. A fé é uma disciplina de ligação ao plano espiritual, que nos dá confiança em Jesus. Há momentos que requerem mais atenção, como a Feira do Livro, e há pessoas que me dão suporte em outras atividades e a todo momento estamos em contato. A tecnologia ajuda, nos faz mais próximos, embora nunca substitua o contato pessoal.
JC - No espiritismo, o voluntariado é uma questão muito forte: a fé impulsiona as ações?
Pedro Paulo - Servir é o que me impulsiona a estar dentro do movimento espírita. Outros grupos religiosos também realizam esse trabalho muito bem. Mas o movimento espírita me trouxe o servir constante. Olhando o outro você aprende as próprias tendências boas para ajudar a si mesmo e ao próximo, que é o grande propósito cristão. Hoje compreendo mais as relações de benevolência, da calma diante das aflições... Aprendi a ter ânimo para as mais diversas situações. Voltar os olhos para o outro me fortalece, porque vejo que posso ser útil. E isso me coloca passo a passo no caminho da verdade que confio ter sido transmitida por Jesus.
JC - Qual a importância dos livros no espiritismo?
Pedro Paulo - A base da doutrina espírita está no pentateuco com os cinco livros codificados por Alan Kardec. Inclusive estamos comemorando os 160 anos do lançamento do "Livro dos Espíritos", que traz a compreensão dos assuntos da nossa vivência terrena e espiritual. A literatura espírita é muito rica porque acreditamos na comunicação dos espíritos, que continua por meio dos livros. O espírita gosta de ler o que eleva o pensamento a Deus, a Jesus e aos espíritos bondosos que nos acompanham. Além de nos dar o conhecimento filosófico, religioso e científico, ler nos faz bem, direciona ao bem. Através da psicografia, Chico Xavier é o maior divulgador da doutrina espírita no Brasil. Não por acaso é o patrono da nossa associação. Graças ao seu trabalho e por ser um homem de bem temos hoje uma feira do livro espírita em um shopping sem discriminação.
JC - Que balanço faz desta Feira do Livro Espírita até agora?
Pedro Paulo - Foi tão boa a receptividade que fomos convidados pelo Boulevard Shopping a ficar até 21 de maio (a feira terminaria dia 7). Aqui é também um espaço de reflexão por meio de palestras, sejam espíritas ou sociais. Por exemplo, trouxemos a psicóloga Maria José Barbosa para orientar os pais sobre a situação dos jovens e o jogo Baleia Azul. A feira trouxe 1500 títulos e contou com mais de 80 voluntários, que receberam a comunidade não só para a venda, mas para uma palavra, um contato e até uma prece. A associação tem uma gratidão imensa a esse serviço. A feira também comporta o artesanato solidário, cuja venda dos produtos é revertida às casas espíritas (centros e entidades assistenciais).
Perfil
Pedro Paulo Tonin é natural de Botucatu, tem 52 anos, dos quais 25 anos morando em Bauru. Seu livro preferido é "Nosso Lar", do espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier. E o filme baseado na obra? "É bom, dá para ter uma boa ideia". Atualmente está lendo "Os atos dos apóstolos", na visão do espírito Emanuel. Nas horas vagas, faz natação e hidroginástica.