| Malavolta Jr. |
| Simone Arantes, Valdinês Peruche, Julia João, Maria Catini, Maria Jose Faustini, Ana Carolina Alves, Edna Lima, Gisela Alves e Lucia Pereira |
"A escola estadual está desfalcada. Desde o final do ano passado não recebemos verba para a compra de suprimentos e manutenção do prédio. Os professores estão adoecendo com a sobrecarga e más condições de trabalho, e não temos condições de substituir todas as faltas". As denúncias são da presidente do Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo), Maria José Faustino, que representa diretores, vice-diretores e coordenadores de Escola em Bauru. O Estado nega e ressalta investimentos no setor.
Um grupo de aproximadamente 15 diretores filiados à entidade esteve na semana passada no JC, junto à Udemo e à Maria Helena Catini, que representa os aposentados, para falar sobre o problema e fazer um apelo ao Ministério Público.
Em nota, o Estado rebate as denúncias do sindicato e ressalta, entre outros pontos, que disponibilizou verba no montante de R$ 552,8 mil (R$ 400 mil para manutenção e R$ 152,8 mil para compra de suprimentos) às escolas de Bauru no início deste ano.
'AULAS PREJUDICADAS'
À reportagem, a Udemo afirma que as escolas estaduais, de modo geral, estão "quase fechando as portas" por falta de gente para trabalhar e de verbas para seu funcionamento.
Segundo a entidade, no início deste ano, as escolas do 1.º ao 5.º ano do Ensino Fundamental apresentavam déficit total de 106 professores de disciplinas variadas.
"No primeiro bimestre deste ano, por exemplo, uma escola da cidade somou 1.600 aulas não dadas por falta. Deste total, 800 foram substituídas por professores eventuais, que não dão continuidade à disciplina", pontua a presidente da Udemo, Maria José Faustino.
A cobertura do total das faltas não seria possível por conta da cota do contrato do Estado para professores substitutos, que seria pequena em relação ao desfalque, provocado por faltas médicas e licenças.
Entre as más condições de trabalho a que são submetidos professores e demais educadores, a entidade destaca a superlotação de salas e o desfalque de profissionais na escola.
'SEM VERBAS'
A Udemo diz que as escolas estão desde novembro sem receber a cota mensal do Estado para a compra de suprimentos. "Estamos comprando papel higiênico e sabão, por exemplo, com dinheiro do próprio bolso e pedindo doações a pais de alunos", destaca Maria José.
Ela ainda diz que a verba para manutenção dos prédios, que, antigamente era trimestral, tem sido liberada apenas uma vez por ano, o que tem gerado problemas para a administração das unidades.
"Se quebra uma lâmpada, não temos verba para trocar durante o ano todo. Pais de alunos têm nos ajudado com serviços elétricos e hidráulicos. A situação é precária e iremos denunciar ao MP", afirma a presidente da Udemo.
Nos últimos dias, a Diretoria Regional de Ensino (DRE) teria feito um pregão emergencial por conta do problema, mas a cota liberada, segundo os diretores, não chega a R$ 2,00 por aluno ao mês.
GOVERNO REBATE
A Secretaria de Educação do Estado alega que a não apresentação do nome das escolas estaduais que estariam com problemas impossibilita a checagem da denúncia.
Segundo a DRE, não há qualquer aula sem atribuição em Bauru. "A DRE dispõe de um cadastro com 1.221 professores para substituição a partir das faltas diárias de professores, e não de afastados", diz.
Ainda segundo a secretaria, nos primeiros meses de aulas deste ano, as escolas tiveram à disposição R$ 152,8 mil para a compra de itens de papelaria, limpeza e higiene, como papel higiênico. "Os materiais são adquiridos e distribuídos pela Diretoria de Ensino mediante levantamento da direção de cada escola estadual".
Além disso, em janeiro, mais R$ 400 mil para manutenção foram disponibilizados. Sobre a superlotação, a pasta diz que, hoje, a média de alunos por turma em Bauru é menor que a do Estado.