08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A arte de sevir

Gilberto Sidney Vieira
| Tempo de leitura: 2 min

A expressão 'servidor público' supõe alguém que exerça oficialmente cargo ou função pública. É aquele que serve ao próximo, embora muitas vezes seja reputado pejorativamente, mas injustamente, como alguém que executa seu "métier" para muito pouco ou nada fazer. Isto pela omissão de-iberada de alguns maus servidores. Porque há uma miríade de genuínos servidores públicos. São pessoas, tal qual abelhinhas operárias, labutam anonimamente nas inúmeras repartições públicas. E fazem-no com extrema dedicação, com responsabilidade ímpar.

Muito embora não sejam recompensa - das com vencimentos compatíveis aos seus esforços em bem servir. Dito isto, desejo aqui prestar uma homenagem a uma servidora emérita, que sempre calçou as sandálias da humildade. Mulher de fibra, que nos deu um exemplo de ser humano muito especial. Por muitos anos executou a tarefa de vacinar no Centro de Saúde III, de Vila Cardia (Bauru).

Onde lá exerci as funções de encarregado de Setor Administrativo. Seu relacionamento humano, tanto com o público em geral como com seus pares, sempre foi impregnado de atitudes serenas, equilibradas emocionalmente. Ela deixava seus problemas pessoais (e quem não os tem?) na soleira da porta de entrada da repartição.

Na arte de servir, ela sempre respondia "sim" cada vez que o mundo dizia "não" (parafraseando aqui Maria Bethânia na famigerada canção "Brincar de viver").

Cumpria suas funções de vacinadora sempre sorrindo, com paciência, agindo com esmero. Estava sempre pronta para colaborar.

Recordo muito bem que certo dia houve, já noite adentro, um inesperado corte prolongado de energia elétrica, atingindo o posto estadual de saúde. Ela, incontinenti, dirigiu-se até lá, abriu a porta de entrada e foi verificar em que estado de temperaturas mínimas e máximas (controladas por um termômetro especial instalado dentro da geladeira) as vacinas se encontravam. Constatou então que tinha havido perda total, as vacinas estavam impróprias para uso eficaz.

Além do mais, Neusa Tônia também foi, no âmbito familiar, excelente esposa, mãe, e avó. É muito especial, a nos servir de parâmetro como um ser humano porque soube, em toda sua vida, usar o livre-arbítrio no ato de bem servir ao próximo, diante das vicissitudes que a vida lhe apresentou.