São mesmo imprevisíveis as coisas dessa vida e a cada fato novo, mesmo que seja a morte, logicamente não sendo a nossa, abrem-se novos pensares, novas possibilidades. Como todos os dias acompanho o nosso matutino, a morte do grande Belchior foi um desses fatores que mexeu com muitos, principalmente seus fãs, entre os quais me incluo.
Mas, dentre muitas homenagens ao cantor cearense, a que mais me chamou atenção foi "Réquiem para Belchior", do João Jabbour, onde ele escreve e canta, versa e prosa as belas canções do grande artista que se foi, ficando sua obra. Talvez esteja também na morte o reavivamento de tudo, como disse Jabbour, em seu artigo anterior ('As regras que nos convêm'), quando fala logo de início de uma certa desmotivação para escrever, mas no trabalho seguinte nos brindou com "Réquiem para Belchior". Foi muito feliz em sua homenagem póstuma ao ídolo. Já Paulo Boccato, na tribuna de ontem, com seu descrédito com o País, deu asas ao meu descrédito e ao de muita gente também.
Mas precisamos deixar nosso ceticismo de lado (mesmo que precisemos de muito esforço para tal), estamos vivos e apesar de tudo que se vê esse é o nosso mundo, esse é o nosso país, e isso tudo vai passar, como passam os grandes temporais.
"Bebi, conversei com os amigos ao redor de minha mesa, e não deixei meu cigarro se apagar pela tristeza. Sempre é dia de ironia no meu coração. A voz resiste. A fala insiste: quem viver verá" (Não leve flores - Belchior). Rezemos!