Esporte de preferência nacional, com canais de televisão transmitindo diariamente jogos importantes de todos campeonatos dos diversos países. São tantos que podemos escolher aquele que mais nos interessa naquele momento, mesmo que para isso tenhamos que pagar extraordinariamente. A crise moral que também se abateu sobre esse esporte, desde a crise interna vivida pelo noticiário da CBF apontando falcatruas, que, diga-se de passagem, atinge também outros esportes, mas de menor interesse do brasileiro, contaminou até os atletas.
Fiquei indignado de ver um ex-craque da seleção brasileira, José Roberto, que joga no Palmeiras, mas que já frequentou grandes times, receber um empurrão no peito e jogar-se no gramado, colocando as mãos na face, como se fosse aí o local da agressão. Também assistimos a outros craques usarem desse mesmo artifício. Mesmo com 4 árbitros simultâneos, muitas vezes esses lances não recebem a punição merecida. Como afirmou o comentarista Galvão Bueno, hoje trabalham 30 câmeras simultaneamente, e vemos detalhes, quando se aplica o zoom, do jogador sendo pisado nas mãos, com ou sem intenção de seu marcador. Embora o futebol seja um esporte de muita malícia e lances velozes, esse mau comportamento leva a arbitragem a dúvidas que devem ser interpretadas instantaneamente.
A consequência dessa malandragem induz atletas e torcidas a reagirem muitas vezes com violência. Até um atleta como Rodrigo Caio, que subiu muito no meu conceito, deveria ser aplaudido pela honestidade e respeito que demonstrou pelo seu companheiro de profissão informando sobre uma falta que não aconteceu, recebeu críticas injustas de todas as partes. Aplaudo de pé esse atleta, pois valoriza os preceitos do esporte e da dignidade de um ser humano invejável e exemplar. Por quê não se estabelecer um júri com 3 juízes sorteados, para analisarem os lances mais polêmicos, após os vídeos minuciosamente apresentados sobre tais lances?
Seriam 3 juízes, para que não ocorra o empate. Um jogador com atitude antiesportiva deveria receber após a análise um cartão amarelo que se somaria ao seu estado atual, podendo até ser punido, como acontece com 2 cartões amarelos recebidos, não jogando a próxima partida, ou como uma futura punição com a mesma finalidade. Esse comportamento antiesportivo, de atletas mal intencionados, pode influenciar num aumento da violência tanto entre os torcedores quanto dos ânimos do adversário ao ser punido injustamente.
O voleibol avançou com a revisão eletrônica do lance, solicitada pelo técnico dirimindo muitas dúvidas. Pode ser argumentado que "tiraria" a autoridade e a interpretação do árbitro, mas havendo revisão posterior do jogo, não interferiria no resultado, e seria importante para que o atleta repense em suas atitudes e possíveis consequências.
Por ser um esporte de contato, há certas tolerâncias plausíveis para algumas jogadas, mas quando o objetivo é nitidamente falsear e tumultuar, alguma penalidade esse atleta deve receber, pois eles colocam alguns milhares de torcedores, dentro e fora do campo, em linha muito tênue para a ocorrência de mais violências. Ser acusado pelo que não fez não deve fazer parte da justiça, em qualquer situação.
Ser parabenizado pela honestidade deve ser a tônica constante e estimulada. O grande meia-esquerda da seleção brasileira Gerson ficou tristemente marcado por uma frase dita por ele durante um comercial de cigarro, relembrando "brasileiro gosta de levar vantagem em tudo".
A situação que passamos atualmente é mais de crise moral do que política, que assistimos diariamente na imprensa o tamanho do mal que a imoralidade faz a toda a sociedade. Pequenos gestos, podem tornar-se exemplos magnânimos do comportamento e serem contagiantes. Imagine se pudéssemos vivenciar plenamente o primeiro e o segundo dos 10 mandamentos da lei de Deus, que nos são ensinados na infância por nossos pais e religiosos.
O autor é professor da FOB-USP e membro do Lions Clube de Bauru Centro.