Apesar do clima de apreensão e de algumas ocorrências pontuais, as manifestações a favor e contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva transcorreram nesta quarta-feira, 10, com tranquilidade na capital paranaense.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, 130 ônibus chegaram a Curitiba para acompanhar o depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, o que somaria um total de 7 mil pessoas. O número de policiais envolvidos na operação foi de 1,7 mil.
Os apoiadores de Lula começaram o dia com uma marcha pela cidade, recepcionaram o petista no aeroporto Afonso Penna e se aglomeraram em frente ao prédio da Justiça Federal, palco do depoimento.
Após o fim da audiência, Lula se juntou aos manifestantes em um ato político realizado na Praça Santos Andrade, um dos cartões postais da cidade, que fica em frente Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O petista subiu ao palco ao lado ex-presidente Dilma Rousseff. Ambos foram ovacionados pelos militantes, que gritaram "Fora Temer", em referência ao presidente Michel Temer que assumiu o cargo após o impeachment de Dilma.
No início da tarde, a chegada de Lula à sede da Justiça Federal onde prestou depoimento foi calculada para ter ares de apoteose. O ex-presidente desceu do carro e percorreu, literalmente nos braços do povo, cerca de 50 metros até chegar à barreira de policiais que cercava o local. Após passar pelo bloqueio, o petista acenou para os apoiadores e entrou em um carro para ser conduzido ao encontro com Moro.
Assim que a audiência teve início, os manifestantes pró-Lula se deslocaram até a Praça Santos Andrade. Nem mesmo a fina chuva e o frio de 14.º C desmobilizaram os cerca de 5 mil militantes que passaram a tarde ao relento à espera do petista.
Deputados, senadores e governadores do PT e de outras legendas de esquerda também passaram o dia em Curitiba para dar apoio ao ex-presidente.
Pixuleco
Em outro ponto da cidade - o Museu de Arte Moderna Oscar Niemeyer - cerca de 200 manifestantes protestaram contra o ex-presidente. Vestidos de verde e amarelo, ergueram um "pixuleco", boneco inflável com 20 metros de altura no formato do ex-presidente em uma roupa de presidiário.
A pedagoga e artista plástica Vânia Dalmaz, uma dos coordenadores do Movimento Mais Brasil, disse que o dia é histórico e que esperava uma punição para Lula e todos os políticos denunciados pela Operação Lava Jato. "É uma data muito importante, seria um julgamento qualquer, mas essa audiência envolve um ex-chefe da Nação, o que mostra que podemos mudar este País e o juiz Sergio Moro deu início a isso", disse.
Ocorrência
Até o início da noite desta quarta, a Polícia Militar do Paraná não havia registrado nenhuma ocorrência ou problemas maiores nos atos que ocorreram pela cidade. De acordo com o porta-voz da PM na operação montada para o depoimento, tenente Rafael Bittencourt, o caso mais grave foi a denúncia da explosão de rojões no acampamento do Movimento Sem Terra (MST), na região central, pela madrugada.
Testemunhas disseram que por volta das 0h30 desta quarta, cinco homens começaram a disparar rojões em direção ao acampamento onde os militantes estavam alojados. Os fogos danificaram pelo menos quatrobarracas.
Segundo os militantes, duas pessoas ficaram feridas. Uma das vítimas chegou a ser hospitalizada, após uma bomba ter estourado próximo à sua cabeça. Outra vítima, uma garota, teve ferimento nos olhos por causa da pólvora.
Para o coordenador da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim, um dos organizadores das manifestações em apoio a Lula em Curitiba, o ataque ao acampamento se tratou de um "ato fascista". "É um ato fascista contra um movimento que é pacífico. Depois nós é que somos os baderneiros", disse.