10 de julho de 2026
Política

Obras da Estação de Tratamento de Esgoto seguem em ritmo lento

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Thiago Navarro/JC Imagem
Parte dos serviços na ETE estão suspensos desde o final de 2016; liberação depende de resultados de testes

A construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa segue em ritmo ainda abaixo do ideal. Desde outubro do ano passado, as obras foram desaceleradas em função de resultados insatisfatórios nos testes de carga das estacas-raiz, o que suspendeu parte das frentes de trabalho da obra, que tratará 90% do esgoto de Bauru.

Os setores que receberão os reatores UASB e o tanque de aeração estão com os serviços interrompidos desde o final de 2016, até que os relatórios dos testes realizados nos últimos dois meses libere o local. O presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Eric Fabris, destaca que o teste de Pit não apontou anormalidade, mas o resultado foi encaminhado ao engenheiro Luciano Décourt, considerado um dos maiores especialistas do assunto no País. Ele dará um parecer final antes que a obra seja retomada.

Já os futuros setores de tratamento preliminar, decantação e tratamento de resíduos sólidos, por exemplo, seguem com as obras em execução, pois contam com estacas pré-moldadas. A empresa COM Engenharia é a responsável pela construção, contratada através de processo licitatório por R$ 129 milhões, em 2015. Porém, já houve aditivos, o último deles de mais de R$ 10 milhões, no ano passado, e cujo aditamento de contrato relativo ao novo valor será publicado na edição de hoje do Diário Oficial.

O prazo para conclusão também aumentou, para março do ano que vem. A contratação da empresa foi diretamente realizada pela Prefeitura de Bauru, através da Secretaria de Obras, e desde que o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) assumiu, o DAE também vem participando ativamente de todas as discussões sobre a ETE, em conjunto com a Obras.

O governo federal vai custear R$ 118 milhões, e o restante vem de contrapartida do município, com verba do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE).

O DAE estima que as obras civis, que correspondem a metade do valor global, atingiram 40% do previsto, enquanto os equipamentos, que correspondem ao restante, começaram a ser adquiridos agora - já dentro do contrato junto à COM Engenharia. A primeira remessa, autorizada pelo DAE, custa cerca de R$ 7 milhões, como bombas, tubulações e peneiras rotativas, para uso na estação elevatória (quando os dejetos chegam dos interceptores).

OS TESTES

Fabris explica como os testes aconteceram. "Foram executadas cerca de mil estacas-raiz, e as provas de carga deveriam ter acontecido logo no começo da execução. Quando foi fazer as provas de carga, o volume de estacas instaladas já era grande, e as provas mostraram comportamento insatisfatório das estacas. Para ter uma conclusão, você precisa eliminar possibilidades. As estacas realmente estão insatisfatórias ou a prova de carga foi mal conduzida e danificou as estacas no momento da prova?", pontua Fabris.

"Os ensaios mostraram que as estacas estão íntegras e foram executadas com a profundidade exigida no projeto. Então restou a possibilidade de deficiência no dimensionamento. O trabalho que está sendo desenvolvido pelo professor Luciano Décourt vai nos dizer qual carga podemos colocar com segurança sobre as estacas", revela o dirigente da autarquia. O DAE contratou uma empresa para realizar o teste de Pit, pelo valor de R$ 14.500,00.

Readequação

O presidente do DAE, Eric Fabris, cita que a estrutura dos reatores será redimensionada, justamente para suportar a carga prevista. "Estamos desenvolvendo um trabalho de análise estrutural, para mudar o modelo dos reatores, que atualmente são paredes soltas, apoiadas sobre as estacas sem laje de fundo. Esse fundo seria feito só com uma geomanta. Essas paredes soltas solicitam muito mais das estacas do que se houver uma laje de fundo travando", diz. O trabalho corre em paralelo às análises dos testes.

"A expectativa é que a carga admissível, que será apontada pelo Luciano Décourt, seja compatível com a carga que o novo projeto vai fixar, podendo aproveitar as estacas normalmente. Acredito que as chances são grandes", relata.

O presidente do DAE comenta que a instalação das estacas será concluída, pois falta pouco para o fim dessa etapa. "Nos tanques de aeração, já tínhamos 80% das estacas executadas, não teria sentido mudar agora, liberamos a instalação dos 20% restantes nesta semana. Ainda precisam ser instaladas as estacas dos UASB, que são os reatores anaeróbios, e vão passar pela mesma análise, mudando de geomanta para uma laje de fundo, que é também mais adequado por ser uma obra bem mais durável", completa Fabris.