10 de julho de 2026
Geral

Nomeado bispo, padre Ricci diz que 'construirá pontes' em Niterói

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Douglas Reis
O bispo de Bauru, dom Caetano Ferrari, junto com o recém-nomeado bispo auxiliar de Niterói, Luiz Antônio Lopes Ricci
Luiz Antônio Lopes Ricci será ordenado bispo no próximo dia 16 de julho, às 15h, no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, em Bauru

Ao saber que seria nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Niterói, a primeira imagem a despontar para o bauruense Luiz Antônio Lopes Ricci foi a ponte Rio-Niterói. Não por acaso, ele pretende colaborar para "ligar" as pessoas a Deus, quando estiver trabalhando no município fluminense. O primeiro religioso da cidade a ser declarado bispo fez a afirmação em entrevista coletiva, realizada na Cúria Diocesana de Bauru, na manhã dessa quarta-feira (10).

Ricci, que completará 51 anos na próxima terça-feira, acrescenta que será um desafio e tanto, principalmente porque a Diocese de Niterói possui 2,5 milhões de habitantes, ou seja, é cinco vezes maior do que a Arquidiocese a qual pertence Bauru. "O coração veio à boca e pensei na ponte Rio-Niterói. Pretendo 'construir pontes', por meio da Palavra de Deus", revela.

O religioso intenciona, ainda, colaborar para "ligar" as pessoas a Deus e a elas mesmas, através da fé, do amor e da fraternidade. Ricci permanecerá em Bauru até a sua ordenação episcopal, que está agendada para o próximo dia 16 de julho, às 15h, no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, em Bauru.

Na ocasião, estarão presentes o bispo da Diocese de Bauru, dom Caetano Ferrari; seu antecessor, dom Luiz Antônio Guedes; e o arcebispo de Niterói, dom José Francisco. A partida do religioso a Niterói ocorrerá em agosto, porém, o dia ainda não está definido.

Enquanto isso, Ricci permanece à frente da Paróquia de São Cristóvão, em Bauru, e mantém as atribuições na Faculdade João Paulo II (Fajopa), em Marília. Monsenhor desde a sua nomeação como bipo, Ricci completará 20 anos de sacerdócio, no próximo dia 10 de julho.

GRATIDÃO

Apenas à frente da Paróquia de São Cristóvão, em Bauru, está há nove anos. Aos fiéis, ele agradece o carinho e revela que não foi fácil tomar a decisão de deixar a terra natal.

Em uma carta divulgada à imprensa, destaca que ficou surpreso com a nomeação, "acolhida com gratidão e confiança, após intenso e sofrido discernimento (...) foi pela fé e confiança em Deus que decidi querer o que Deus quer para mim".

Padrinho

O bispo de Bauru dom Caetano Ferrari pode ser considerado padrinho de Luiz Antônio Lopes Ricci. "Em 2014, celebramos o Jubileu de Ouro da Diocese de Bauru e sempre desejamos que um dos nossos 60 padres recebesse a nomeação", observa o bispo de Bauru. Ele, então, fez a solicitação ao Vaticano, que foi contemplada com a nomeação do pároco da São Cristóvão.

Do Calçadão da Batista ao bispado

Pároco da Paróquia de São Cristóvão, Ricci completará 51 anos no próximo dia 16. O religioso é diretor e professor de ética teológica e bioética, na Faculdade João Paulo II (Fajopa), em Marília. Ele tem mestrado e doutorado em teologia moral, pela Pontifícia Universidade Lateranense - Academia Alfonsiana de Roma, e pós-doutorado em bioética, pelo Centro Universitário São Camilo, em São Paulo.

Inclusive, sua última pesquisa acaba de ser publicada pela Editora Paulus, que gerou o livro "A morte social: mistanásia e bioética". Conforme o JC já noticiou, a obra será lançada hoje, às 19h15, no Auditório João Paulo II, da Universidade do Sagrado Coração (USC), que fica na rua Irmã Arminda, 10-50, no Jardim Brasil, em Bauru.

Antes de entrar para o seminário, em 1989, o monsenhor trabalhou no comércio de Bauru, aos 14 anos, vendendo sapatos no Calçadão da Batista de Carvalho. Em 10 de julho de 1997, ordenou-se padre, em Bauru, mas já atuou em Cabrália Paulista, Paulistânia e Piratininga.

Atualmente, Ricci é visto como um líder religioso envolvido com a comunidade, seja diante de cenários agradáveis ou difíceis. Também é considerado acessível, generoso, afetuoso e compreensivo. Por conta do perfil, há tempos, os católicos o incluíram na lista de candidatos a bispo.

Sinais de Deus: Dia das Mães e aparições de Fátima

O agora monsenhor Luiz Antônio Lopes Ricci contou em entrevista coletiva que recebeu a notícia sobre sua nomeação no dia 24 de abril. "Percebi os sinais de Deus, que me ajudaram a dar um 'sim' generoso. Um deles foi o mês em que me tornei bispo (maio), no qual se celebra o Dia das Mães e as aparições de Nossa Senhora de Fátima", pontua.

Ricci alega também que sentiu-se honrado em ser nomeado bispo durante o pontificado do papa Francisco. "O papa é bastante querido e espero que, assim como ele, consiga deixar um legado positivo. Enfim, peço que rezem por mim", finaliza.

Outros dois bispos

Além do padre Ricci, outros dois novos bispos para o Brasil foram nomeados nessa quarta-feira (10). São eles: o padre André Vital Félix da Silva, para a Diocese de Limoeiro do Norte (CE); e o padre Jacy Diniz Rocha para a Diocese de São Luiz de Cáceres (MT).

Você sabia?

O papa Francisco atendeu a um pedido específico do arcebispo de Niterói, dom José Francisco Rezende Dias, de ter um bispo auxiliar e, assim, o padre Ricci foi o escolhido.