| Fotos: Samantha Ciuffa |
| O réu João Paulo Barros de Oliveira conversa com a defensora pública Janete Salvestro |
| Comadre de uma das vítimas, Maria José Lourenço mostra capa do JC sobre o crime |
"Se elas estiverem aqui no meio da gente, acredito que estão contentes, porque este crime bárbaro não ficou impune”. Foi assim que Elaine Rondora Alves, 48 anos, comemorou a condenação do assassino de sua filha e outras duas mulheres da família, nessa quinta-feira (11), após decisão do Tribunal do Júri.
João Paulo Barros de Oliveira, 25 anos, foi sentenciado a 78 anos e um mês de prisão por matar a pauladas e facadas, em janeiro do ano passado, sua companheira Patrícia Pâmela Rondora Peixoto, 27 anos, além da avó e irmã de criação dela, Damiana Pereira Lopes, 72 anos, e Cristiane Lopes Vendramini, 32 anos. A defesa afirmou que irá recorrer.
Em uma das maiores condenações da história recente do Tribunal do Júri de Bauru, João Paulo foi reconhecido como o autor de triplo homicídio triplamente qualificado - cometido por motivo fútil, com uso de meio cruel e que impossibilitou a defesa das vítimas – e também pelo incêndio do carro de Cristiane e pela lesão causada no antebraço da filha dela, que tinha 5 anos à época e conseguiu fugir.
O assassino seguirá cumprindo a sentença na Penitenciária de Balbinos, onde já estava preso desde que cometeu os crimes. Não irá ultrapassar, contudo, 30 anos em regime fechado, por ser este o limite estabelecido pela Justiça brasileira.
No julgamento que durou 11 horas, os jurados acataram todas as teses defendidas pela promotoria, o que foi determinante para o montante da pena. Como agravantes, também foi considerado o fato de o crime ter sido praticado na presença da filha de Cristiane e porque uma das vítimas, Damiana, tinha mais de 60 anos. “Elas não tiveram chance de se defender. Minha filha estava começando a vida e ele não pensou em nenhum momento nisso. É uma dor que vai ficar para sempre”, lamenta Eliane, mãe de Patrícia.
VIOLENTA EMOÇÃO?
A defesa de João Paulo tentou sustentar a tese de que o réu agiu por violenta emoção, após supostamente descobrir mensagens de um homem no celular da companheira. “A Patrícia era a pessoa que ele amava e com quem ele sonhava constituir uma família”, argumentou a defensora pública Janete da Silva Salvestro, alegando que seu cliente possui transtorno psiquiátrico – embora o laudo pericial anexado aos autos tenha atestado que ele não tem doença mental.
Já o promotor Alex Ravanini Gomes rejeitou a hipótese de violenta emoção, lembrando que João Paulo abriu um cofre e retirou pertences para simular um assalto na residência da família, onde o crime ocorreu. “E, depois de cometer os três homicídios, ele saiu de casa (na Vila Industrial) e atravessou a cidade inteira de bicicleta até a Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) para trabalhar, como se nada tivesse acontecido”, ressalta.
Comadre de Cristiane e pessoa próxima da família, Maria José Lourenço relata que João Paulo era um homem controlador e que cometeu os crimes porque Patrícia não queria mais o relacionamento, que já durava cerca de dois anos. “Ele matou a Patrícia por ciúmes, a irmã porque tentou impedir e a avó, que tinha câncer em estágio avançado, porque tentou buscar socorro. A família inteira foi destruída e a justiça precisava ser feita”, observa.
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Crime brutal
O crime foi registrado na madrugada do dia 19 de janeiro do ano passado, na casa onde as vítimas e o réu viviam, na quadra 3 da rua Jerônimo Hernandes, Vila Industrial. Depois de matar Patrícia, Cristiane e Damiana, além de ferir a filha de Cristiane, João Paulo jogou os caibros que utilizou para golpear as mulheres e fugiu de carro levando sua bicicleta no porta-malas.
Foi até uma rua afastada no bairro Boa Vista, ateou fogo no veículo, que pertencia à Cristiane, trocou de roupas e seguiu pedalando até o trabalho, onde foi preso. Na época, ele alegou legítima defesa, tese que não foi sustentada pela defesa no Tribunal do Júri, nessa quinta-feira (11), já que ficou comprovado que Patrícia estava deitada na cama e coberta quando foi morta.
De acordo com a denúncia da promotoria, Cristiane foi a segunda a ser atacada por João Paulo e Damiana foi morta em seguida. Depois, o réu teria voltado a golpear as duas irmãs, que ainda agonizavam, com uma faca. Conforme o JC divulgou à época, durante a reconstituição do crime, o assassino teria relatado à Polícia Civil que pretendia queimar os corpos das três mulheres e da criança, o que só não ocorreu porque a menina fugiu.
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