09 de julho de 2026
Geral

Com origem em Bauru, Movimento Antimanicomial completa 30 anos

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Há 30 anos, um encontro entre trabalhadores da Saúde Mental, em Bauru, forneceu diretrizes para as políticas públicas do setor, em todo o País. Com isso, a cidade se tornou a precursora da implementação de uma rede de atendimento psiquiátrico voltado à socialização dos pacientes. Em 18 de maio, será celebrado o Dia Nacional do Movimento Antimanicomial e o município preparou uma vasta programação (confira no quadro abaixo).

As atividades, que ocorrem entre hoje e o dia 18, têm o propósito de discutir os desafios e avanços da Saúde Mental. Gratuito, o evento é voltado aos profissionais da área, usuários e, em alguns casos, ao público em geral.

Diretora da Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, Vera Lúcia de Paula Rodrigues foi uma das protagonistas da luta bauruense, em 1987 - na época, enquanto estudante de psicologia. Já formada e concursada, participou da implantação do primeiro Núcleo de Apoio Psicossocial (Naps) da cidade.

Vera explica que o objetivo do Movimento Antibalomênico é defender a cidadania e os direitos dos pacientes, no sentido de serem acolhidos em regime aberto, comunitário e ambulatorial. "Antes, eram moradores de instituições, até então, chamadas de manicômios", acrescenta.

Inclusive, a psicóloga relembra que pacientes do País inteiro eram abandonados em hospitais de Bauru, devido à proximidade da ferrovia. Muita coisa mudou de lá para cá. Agora, há socialização e atividades substitutivas à internação propriamente dita, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e as residências terapêuticas.

DESAFIOS

Todavia, há desafios a serem enfrentados e Vera acredita que o principal seja o combate à intolerância. "Nossa sociedade é individualista e não aceita aquilo que é diferente. Existe, ainda, o abandono, decorrente do enfraquecimento dos laços familiares", observa.

Segundo a psicóloga, a luta precisa avançar, no sentido de ampliar os dispositivos de cuidado. "Uma solução seria a implementação de consultórios de rua, voltados, justamente, às pessoas com maior vulnerabilidade social e vítimas de abandono", frisa.