08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Um ensaio sobre a cegueira

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Um tanto longe da ficção do filme “Ensaio Sobre a Cegueira”, baseado na obra de Jose Saramago, e dirigido por Fernando Meirelles, gostaria de transcorrer aqui sobre “O nosso” ensaio sobre cegueira.

Ficar privado da visão, ou qualquer um dos nossos sentidos deve ser muito ruim mesmo, e a visão imagino como sendo, a que mais nos faria falta. Mesmo se levando em consideração, que com a perda de um dos sentidos, aguça-se um ou mais dos restantes, uma compensação ou readaptação do engenhoso e maravilhoso, cérebro humano.

Mas pior que não ver nossa imagem no espelho por exemplo, é a nevoa que se forma sobre a nossa consciência, e que quando, cada vez mais espeça se torna, segue nos tirando a capacidade de nos enxergarmos, o que somos de fato, essa um ponto que faz parte da cegueira que nos priva, de nos enxergarmos interiormente.

Então diante desse novo processo, vamos nos desconstruindo, vamos inventando uma outra pessoa, esta “nova pessoa” muitas que muitas vezes é mesquinha, ardilosas perigosas e que passam a manipular a si (em uma total perda de personalidade da “velha pessoa” agora em um espécie de transe continuado) e os que convivem ao seu redor.

Passa a tomar posse do que não lhe pertence, (material e espiritual) reparte apenas se lhe conviver, ou seja se receber, mais do que “deu”, que na justa verdade, nunca foi seu.

Nós, como a mulher do médico no filme, “ensaio sobre a cegueira “poderíamos tentar demover esses doentes dessa miséria, porém existe o eminente perigo do contágio tal a capacidade que passam a ter essas pessoas ao seu redor, formadas em quase totalidade, por “instintos” de grande maldade, como uma espécie de aranha, com habilidade suficiente, para envolver os mais próximos em suas teias, onde ficaria se assim, à mercê do seu perigoso veneno.

Por isso é recomendado a fuga dos que são mais fracos, se afastar para o mais longe que puder, quanto aos fortes, usar de destreza e inteligência, mantendo se frios o suficiente, sem no entanto deixar de mesclar a total frieza e uma grande sensibilidade, sendo esta combinação, uma pretensa receita para quem se habilitar a reverter esse quadro, desta grave enfermidade que vem se alastrando e que qualquer um de nós poderá ser acometido.

A análise que ficaria, seria a de como você tem se enxergado nesse espelho?