08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Mãe, amor sem fim

José Marta Filho - engenheiro e doutor pela Unesp - diretor do Instituto Ma
| Tempo de leitura: 4 min

O amor de mãe é especial. Tem sempre carinho, afeto, sinceridade e saudade. Ah, a saudade... Saudade de quem queremos estar sempre ao lado. Carlos Drummond de Andrade no seu poema “Para Sempre” desabafa: “Por que Deus permite que as mães se vão embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento.

Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho. ” Calma aí, Drummond! Mãe não morre nunca, pelo menos em nossas lembranças. Há algum tempo presenciei uma cena muito emocionante no sepultamento da mãe de uma amiga. Sabe aquele momento final em que as pessoas não sabem o que fazer e o que dizer?

Pois bem, eis que suavemente surge a filha Meiry cantando: “Com minha mãe estarei na santa glória um dia, ao lado de Maria, no céu triunfarei. No céu, no céu com minha mãe estarei. No céu, no céu com minha mãe estarei. ” Nossa! Momento forte e significativo. De repente, o coro foi aumentando e todos cantamos aquela música que aprendemos quando crianças. Agora a música nos lembrava que mãe é eterna, nunca morre, irá com a Mãe mas ficará sempre com os filhos. Isso mesmo: ela triunfando no céu e o filho pequenino aqui na terra, como grãos de milho, enquanto vida tiver. Mas “bom é não saber o quanto a vida dura, ou se estarei aqui na primavera futura. Posso brincar de eternidade agora, sem culpa nenhuma.” (Zélia Duncan)

Mais recentemente, assisti a uma cena bonita em que os netos queridos da Badia, ao se despedirem dela, colocavam ao seu lado, um mimo pessoal que carregavam. Deixaram brincos, anéis, correntinhas, cruzes, medalhinhas, terços e vários escapulários. Era como dissessem: leva um pedaço meu e a certeza de que o amor não acabará nunca. Sim, amor de mãe e à mãe nunca morre. Amor do Amor, Amor, Amor, enfim Amor! Lembro-me com saudades de minha mãe (Virgínia). Simples e sábia. Adorava ler e rezar.

Só tinha palavras doces e muito carinho conosco. Soube dar cor e brilho ao dia e à vida, todos os dias e para toda vida. Hoje tenho a felicidade de conviver e amar uma pessoa iluminada. Ama de maneira leve e direta. Sara me deu três filhos maravilhosos, razão de nossa existência. Somos o que somos, principalmente, pela dedicação de nossa mãe, em especial nos nossos primeiros passos. Elas nos permitiram chegar a esse mundo, fomos cuidados, alimentados e preparados para enfrentar todos os percalços que a vida nos dá. Por isso, neste dia das mães, lembremo-nos delas com muita gratidão. Para elas - apesar dos anos terem passado e de não sermos mais aquela pequena criança - somos sempre aquele bebê frágil e indefeso ao qual elas têm que proteger.

Elas merecem uma eterna homenagem, porque, pelo seu instinto materno e amor, nos deram a vida. Ser mãe de um ou de dez é possível, mas ser mãe de centenas e ao mesmo tempo aceitá-los como filho é um dom, é a vida de professora que é mãe e educadora ao mesmo tempo. Lembro-me, em especial, das mães educadoras de muitos “filhos” que conheci, todas docentes que dividiram suas vidas no amor aos seus filhos e aos seus alunos. Abraço grande, também, às professoras que hoje educam com amor e carinho.

Sim, sempre precisamos e precisaremos de professoras que acreditam no amor que transforma a sociedade pela educação, afinal são “MÃES” que ensinam e aprendem na vida escolar a boniteza e a alegria de construir um mundo melhor. Sabemos que o amor verdadeiro não acaba. Amor forte, amor brilho, amor luz, amor tenaz, amor bem e paz.

É triste a morte do amor! Pois quando morre o amor, morre o calor, morre o olhar, morre a música e morre o coração. Por esse motivo que ficamos perplexos quando temos uma (e poucas) notícias de uma mãe que abandona seus filhos. Parece que, junto, morre o amor, morre a felicidade, a harmonia da vida, a beleza real do mar, das montanhas, do céu, do infinito, morre o brilho e a luz. É como num paradoxo inimaginá- vel: morrer vivendo. Mãe é amor em todos os dias, amor sem fim, amor de Deus ou simplesmente AMOR.